SAÚDE

Situação da hemofilia é o tema do Correio Talks desta quinta-feira

Pessoas com hemofilia sangram por mais tempo, o que torna uma visita ao dentista ou um simples acidente doméstico algo perigoso

Bruna Pauxis*
postado em 21/10/2020 06:00
 (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
(crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

Quando uma criança machuca o joelho ao cair no asfalto, o corpo atua para estancar o sangramento, e a diversão segue. No caso de uma criança hemofílica, sem o tratamento correto, a brincadeira acaba ali. Pessoas com hemofilia sangram por mais tempo, o que torna uma visita ao dentista ou um simples acidente doméstico algo perigoso. A hemofilia é uma doença hereditária, que afeta, quase exclusivamente, indivíduos do sexo masculino. É causada pela falta de uma proteína, entre os 13 componentes que atuam para a coagulação do sangue.

Embora a hemofilia não tenha cura, ao longo dos anos, a medicina avançou no tratamento da doença, e os mais de 12 mil pacientes no país podem ter uma vida melhor do que teriam há anos. Em live do Correio Talks, amanhã, às 15h, especialistas da área, representantes de associações de pacientes e autoridades vão comentar sobre a situação da hemofilia no país, o cenário de tratamento atual e perspectivas futuras. “Por mais que já tenhamos uma grande conquista, que é o tratamento profilático da hemofilia, a informação é sempre importante, porque a ciência vive pesquisando melhores tratamentos que proporcionem melhor qualidade de vida”, conta a presidente da Federação Brasileira de Hemofilia, Tania Pietrobelli, uma das convidadas do evento. Ela é mãe de um hemofílico e conta que, há mais de uma década, leu em uma revista a respeito de um tratamento profilático para a doença. Hoje, o filho dela tem 40 anos, é médico e não possui nenhuma sequela da doença. “Antigamente, as crianças não podiam brincar, fazer educação física. Hoje, elas são estimuladas a isso”, relatou Tania.

Com o objetivo de ampliar a conscientização sobre o assunto, o evento realizado pelo Correio Talks contará com a presença do presidente da Divisão Farmacêutica da Bayer no Brasil e América Latina, Adib Jacob; da superintendente de Economia da Saúde no Hospital Israelita Albert Einstein, Vanessa Teich; da presidente da Federação Brasileira de Hemofilia, Tania Pietrobelli; e da diretora da Divisão de Hematologia do Departamento de Clínica Médica FCM da Universidade de Campinas (Unicamp), Margareth Ozelo. O debate será mediado por Carlos Alexandre de Souza, editor de Política, Brasil e Economia do Correio Braziliense. A transmissão ocorrerá ao vivo, pelo site do Correio e nas redes sociais. As inscrições podem ser realizadas pelo link https://www.correiobraziliense.com.br/correiotalks/hemofilia.html

*Estagiária sob a supervisão de Cida Barbosa

 

 

Tipos da doença

Existem dois tipos de hemofilia: A e B. O tipo A é mais comum — cerca de 80% dos casos — e é caracterizado pela deficiência no Fator VIII. Já a hemofilia tipo B é causada pela falha no Fator IX. Os resultados das duas são os mesmos, uma vez que a gravidade da doença depende da quantidade ainda presente do Fator. Quem possui atividade da proteína entre 5% e 40% tem o tipo de hemofilia caracterizada como leve. De 2% a 5%, moderada, e em casos nos quais a presença da proteína é inferior a 1%, grave. O paciente pode apresentar sangramento externo prolongado, como em cortes, ou interno, quando ocorre dentro de músculos ou em articulações. O resultado é inchaço, dor e hematomas, que podem surgir espontaneamente.

 

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