Educação

Federais têm 70% das notas mais altas

Enade 2019, divulgado pelo MEC, mostra que dos 512 cursos que obtiveram o conceito máximo, 417 são de universidades públicas e 95, do ensino particular. Dos cursos privados, 48% receberam conceito insatisfatório

HUMBERTO REZENDE ANA LÍDIA ARAÚJO* MATEUS SALOMÃO* RENATA RIOS
postado em 21/10/2020 00:20

Alunos de instituições de ensino superior públicas saíram-se melhor que os das particulares no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes realizado no ano passado, o Enade 2019. Dos 512 cursos que obtiveram o conceito máximo, 417 são de instituições públicas e 95 do ensino particular. Os resultados da avaliação foram divulgados, ontem, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ligado ao Ministério da Educação (MEC).

O recorte que leva em conta o tipo de instituição mostra melhor desempenho dos alunos de instituições públicas. Dos cursos das federais avaliados, 70,1% tiveram conceitos 5 ou 4, os mais altos. Já entre as instituições estaduais, esse índice é de 61,1%. Nas privadas com fins lucrativos e sem fins lucrativos, as taxas são, respectivamente, 12,4% e 18% dos cursos com conceito 5 ou 4. Além disso, 48% dos cursos de instituições privadas com fins lucrativos e 37,9% das particulares sem fins lucrativos obtiveram conceitos 1 ou 2. Só 1,4% dos cursos de particulares com fins lucrativos e 1,7% de instituições sem fins lucrativos tiraram a nota máxima (conceito 5).

Nas universidades públicas federais, 24,1% dos cursos avaliados tiveram conceito máximo e, entre as públicas estaduais, essa taxa foi de 16,7%. Nessas instituições, o índice de cursos com conceitos 1 e 2 foram, respectivamente, 5,4% e 11,3%. Em Brasília, resultados semelhantes foram observados. Dos 150 cursos avaliados no Distrito Federal, só 11 tiveram conceito máximo, todos eles de instituições públicas. (leia mais na página 17).

Alexandre Lopes, presidente do Inep, afirmou que houve uma “grande expansão” das instituições privadas de ensino no Brasil, nos últimos anos. “É preciso trabalhar essa questão relativa da qualidade também. Mas temos instituições privadas que têm boa qualidade”, defendeu.

O objetivo do exame, segundo ele, é dar subsídios para aprimorar o ensino superior no país. “Temos alunos espalhados pelo Brasil tendo grandes resultados. O objetivo do Enade não é fazer ranking e, sim, prestar um conjunto de informações para a sociedade e avançar os estudos para melhorar a qualidade do ensino”.

Foco
O ministro da Educação, Milton Ribeiro, falou brevemente no início da coletiva de imprensa e logo se retirou, não respondendo às perguntas dos jornalistas. E não chegou a participar da apresentação dos dados. Segundo ele, sua gestão tem como um dos focos a melhoria da qualidade da educação superior. “Acho que, agora, está na hora de pararmos um pouco e pensarmos na qualidade. Não é possível (ver) os valores de orçamento do MEC e a qualidade que temos na educação brasileira. Temos de tomar uma atitude. Na minha gestão, espero lançar alguma semente para que isso possa ser feito. Não podemos pensar em quantidade de maneira desequilibrada, precisamos focar em qualidade”, resumiu.

Nessa edição, foram avaliados 8.368 cursos de todo o Brasil. Fizeram a prova estudantes que estavam concluindo bacharelado nas áreas de engenharia, arquitetura e urbanismo, ciências agrárias, ciências da saúde e áreas afins e cursos superiores de tecnologia nas áreas de ambiente e saúde, produção alimentícia, recursos naturais e militar e segurança. O desempenho dos estudantes na prova fez com que cada curso recebesse um conceito que vai de 1 a 5. Cursos não avaliados dessas áreas receberam a classificação “sem conceito”.

Cada três anos
O Enade é um dos processos avaliativos que integram o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) e busca aferir o desempenho dos estudantes em relação a conhecimentos, competências e habilidades desenvolvidas ao longo do curso. Cada área é avaliada a cada três anos.

Em 2019, fizeram a prova os alunos que concluíam o bacharelado em engenharia; arquitetura e urbanismo; ciências agrárias; ciências da saúde e áreas afins, além daqueles de cursos superiores de tecnologia das áreas de ambiente e saúde; produção alimentícia; recursos naturais; militar e segurança. Essas áreas voltarão a ser avaliadas em 2022.

*Estagiários sob a supervisão de Ana Sá

Cursos avaliados no Enade 2019

Bacharelado
Agronomia
Arquitetura e urbanismo
Biomedicina
Educação física
Enfermagem
Engenharia ambiental
Engenharia civil
Engenharia de alimentos
Engenharia de computação
Engenharia de controle e automação
Engenharia de produção
Engenharia elétrica
Engenharia florestal
Engenharia mecânica
Engenharia química
Farmácia
Fisioterapia
Fonoaudiologia
Medicina
Medicina veterinária

Superiores de tecnologia
Tecnologia em agronegócio
Tecnologia em estética e cosmética
Tecnologia em gestão ambiental
Tecnologia em gestão hospitalar
Tecnologia em radiologia
Tecnologia em segurança do trabalho

Sem Enade em 2020

O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Alexandre Lopes, reafirmou que não haverá a edição 2020 do Enade. A declaração ocorreu durante coletiva de imprensa. Ele enfatizou que pretende entender quais os impactos causados pela pandemia da covid-19 no ensino superior, uma vez que a avaliação do Enade ocorre nas modalidade de ensinos presencial e educação a distância (EAD). Também reafirmou que o adiamento do Enade 2020 foi uma definição acordada nacionalmente com as Instituições de Ensino Superior (IES). A edição deste ano iria avaliar 30 áreas que compõem o Ano II do Ciclo Avaliativo do exame e estava programado para o dia 22 de novembro. A nova data de aplicação apenas deverá ser definida em 2021.

 

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