Operação Ábdito

PF faz operação contra garimpeiros por assassinato de ianomâmis em RR

Os jovens mortos foram Original Yanomami, de 24 anos, e Marcos Arokona, de 20. Eles estavam caçando quando foram atacados a tiros no meio da floresta, informou a PF

Agência Estado
postado em 29/10/2020 16:18
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira, 29, a Operação Ábdito contra garimpeiros investigados pelo assassinato de dois jovens indígenas em junho deste ano, na Terra Indígena Ianomâmi, em Roraima.
Os jovens mortos foram Original Yanomami, de 24 anos, e Marcos Arokona, de 20. Eles estavam caçando quando foram atacados a tiros no meio da floresta, informou a PF.
Na operação de hoje, policiais federais cumprem quatro mandados de busca e apreensão em Boa Vista, capital do Estado, expedidos pela 1ª Vara Federal de Roraima após representação da PF e manifestação favorável do Ministério Público Federal.
Ao tomar conhecimento das mortes, a Polícia Federal começou uma investigação e fez visitas à região do conflito, dentro da Terra Indígena Yanomami. No local, os agentes encontraram indícios de atividade de pesquisa para o garimpo ilegal e de um acampamento usado pelos garimpeiros, bem como evidências dos crimes, como cartuchos de espingardas deflagrados.
"As investigações indicam que um grupo de indígenas estaria caçando, em região isolada, na mata, quando se depararam com garimpeiros armados, que os perseguiram e atiraram. Somente o corpo de uma das vítimas foi encontrado", informou a Polícia Federal.
Ainda em junho, um dos suspeitos do crime, que está foragido, foi identificado. Na ocasião, além do pedido de prisão preventiva, os agentes cumpriram mandados de busca em endereços ligados ao investigado. Os materiais apreendidos indicam, segundo a Polícia Federal, que ele não age sozinho.
"A PF constatou que o garimpeiro contaria com o apoio de uma rede de familiares e amigos que estariam, ativamente, atrapalhando as investigações e teriam possibilitado a sua fuga", adiantou a PF.
Na ação de hoje, os agentes buscam desarticular os 'apoiadores' e investigar sua participação em crimes como associação criminosa e favorecimento pessoal.
A Polícia Federal informou que o nome da operação, Ábdito, faz referência tanto à situação de isolamento dos indígenas e da localidade dos crimes quanto à ocultação dos suspeitos.
 

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