Pandemia

Bolsonaro culpa estados por testes estocados prestes a vencer

O investimento no estoque desses exames, do tipo RT-PCR, considerados padrão ouro, foi de quase R$ 290 milhões

Ingrid Soares
postado em 24/11/2020 06:00
 (crédito: MARCOS CORREA/ AFP)
(crédito: MARCOS CORREA/ AFP)

O presidente Jair Bolsonaro culpou estados e municípios pelo encalhe de testes que detectam a covid-19. “Todo o material foi enviado para estados e municípios. Se algum estado/município não utilizou, deve apresentar seus motivos”, escreveu o chefe do Executivo, nas redes sociais.


Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, 7,1 milhões de testes comprados pelo Ministério da Saúde estão em armazém da pasta, ou seja, não foram enviados ao Sistema Único de Saúde (SUS) em plena pandemia. Desse total, 96% (cerca de 6,86 milhões de unidades) perdem a validade entre dezembro e janeiro. O investimento no estoque desses exames, do tipo RT-PCR, considerados padrão ouro, foi de quase R$ 290 milhões.


Já o vice-presidente Hamilton Mourão disse “não estar ciente” do assunto e que caberia ao Ministério da Saúde esclarecer o fato.


Em nota, a pasta informou que pretende fazer estudos para avaliar a possibilidade de estender a validade dos testes. A previsão é de que materiais para esses levantamentos cheguem ao país nesta semana, diz. “Uma vez concedido esse parecer técnico, o Ministério da Saúde elaborará uma nota informativa quanto à extensão da validade e segurança da utilização dos testes”, alegou.

Falhas


O RT-PCR é um dos exames mais eficazes para diagnosticar a covid-19. A coleta é feita por meio de um cotonete aplicado na região nasal e faríngea (a região da garganta logo atrás do nariz e da boca) do paciente. Na rede privada, o exame custa de R$ 290 a R$ 400. As evidências de falhas de planejamento e logística no setor ocorrem num período de aumento dos casos no país.
Em nota, domingo, o ministério disse que entrega os exames conforme demanda de estados e municípios. A pasta afirmou, ainda, que não mediu esforços para compra de kits de testagem e investimentos em laboratórios.


Nesta segunda-feira (23/11), o deputado Ivan Valente (PSol-SP) entrou com representação na Procuradoria-Geral da República pedindo abertura de ação de improbidade administrativa contra o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. “Diante de conduta tão grave da perspectiva da gestão administrativa e da proteção da vida das pessoas, é imprescindível a atuação deste órgão para responsabilizar o ministro de Estado da Saúde, Eduardo Pazuello, pela omissão em encaminhar a distribuição dos kits adquiridos pelo governo federal e prestes a serem jogados no lixo em razão do vencimento de sua validade”, argumentou. Ele também solicitou o “ressarcimento ao erário dos valores gastos com a aquisição e armazenamento dos referidos testes”.


A comissão da Câmara encarregada de acompanhar as ações do governo para combater a pandemia discutirá o assunto, amanhã, com autoridades do ministério e de conselhos de secretários municipais e estaduais de saúde. (Com Agência Estado)

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