MEIO AMBIENTE

Área desmatada na Amazônia em um ano é a maior desde 2008, mostra Inpe

Entre agosto de 2019 e julho de 2020, o desmatamento na Amazônia Legal somou 11.088km², dado 9,5% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Mourão minimiza o estrago

Correio Braziliense
postado em 01/12/2020 00:00 / atualizado em 01/12/2020 00:01
 (crédito: Twitter/General Hamilton Mour?o)
(crédito: Twitter/General Hamilton Mour?o)

A área desmatada na Amazônia somou 11.088km² no período de agosto de 2019 a julho de 2020, o maior desmatamento desde 2008, conforme dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) atualizados nesta segunda-feira (30/11) por meio do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes).

Na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram registrados 10.129 km² desmatado, o aumento na área desmatada foi de 9,5%, conforme os dados do Prodes. Em 2008, foram registrados pelo instituto 12.911 km² desmatados.

Os dados são os primeiros do Inpe durante o governo de Jair Bolsonaro e coincidem com o período do envio das Forças Armadas para a região, por meio do decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). A operação, denominada Verde Brasil 2, vem gastando, por mês, o orçamento anual do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), órgão de fiscalização que vem sendo desmantelado pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. No polêmico vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, Salles, inclusive, sugeriu para o governo deixar "passar a boiada" na flexibilização de leis ambientais enquanto a mídia estava preocupada com a pandemia de covid-19.

Os números apresentados pelo Inpe fazem parte de uma segunda estimativa do levantamento realizado desde 1988. A taxa consolidada será apresentada no primeiro semestre de 2021. Ao comentar os dados do Inpe, em São José dos Campos (SP), o vice-presidente Hamilton Mourão, minimizou o aumento do desmatamento durante o governo Bolsonaro. "Iniciamos tarde o nosso trabalho de combate este ano”, disse Mourão, referindo-se à operação das Forças Armadas iniciada por meio da GLO em maio de 2019.

Segundo Mourão, as Forças Armadas vêm trabalhando no apoio a ações contra o desmatamento na Amazônia, não devem continuar após abril de 2021. Além disso, contou que o Conselho da Amazônia, presidido por ele, trabalha em um planejamento para tentar manter a fiscalização com os recursos existentes. "Principalmente, a partir do momento em que as Forças Armadas se retirarem no final de abril, essa é a nossa preocupação, de termos um planejamento com, vamos dizer, com os meios existentes. Porque não adianta a gente querer achar que teremos outros meios, porque não iremos ter", afirmou o vice-presidente a jornalistas.

No mês passado, Mourão levou um grupo de diplomatas europeus para conhecerem a Amazônia e o trabalho das Forças Armadas na região.

Pará lidera desmatamento

O estado do Pará foi o que registrou maior aumento no desmatamento entre as nove unidades federativas que compreendem a Amazônia Legal, de 46,8%, praticamente a metade do volume de florestas derrubadas no período. Mato Grosso (15,9%) e Amazonas (13,7%) ocupam o segundo e o terceiro lugar.

A taxa de desmatamento acumulada no Pará é a maior entre os demais estados, de 34,46%, totalizando 157,7 mil km² de florestas derrubadas desde 1998. Na vice-liderança ficou o Mato Grosso, com 32,34% do desmatamento acumulado, somando 147,9 mil km². Rondônia, em terceiro lugar, contabiliza 13,76%, com 63,9 mil km² desmatados. Amapá ficou na lanterna com 0,37%, o equivalente a 1,7 mil km² desmatados.

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