Violência Policial

PM do Rio usa vídeo nas redes para atacar jornalista após denúncia publicada

Corporação alega que dados da reportagem seriam falsos. Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Instituto Vladimir Herzog repudiaram a ação da PMERJ

Victória Olímpio
postado em 09/12/2020 12:43
 (crédito: Reprodução/Twitter)
(crédito: Reprodução/Twitter)

O jornalista Rafael Soares, dos jornais O Globo e Extra, foi atacado verbalmente pela Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ) após uma reportagem sobre o aumento do uso de munição, a partir do volume de descarte realizado por policiais de Caxias, do 15º BPM. A PMERJ se posicionou sobre a matéria em um vídeo nas redes sociais, classificando as informações de mentirosas, citando nominalmente o repórter e insinuando interesses ocultos para o que, segundo a mensagem, seriam tentativas de descredibilizar a corporação.

A tenente-coronel Gabryela Dantas falou no vídeo sobre a reportagem e acusou o jornalista de ter agido de forma maldosa. Ela ainda apontou que Soares havia se aproveitado do caso de duas meninas que morreram em Caxias, vítimas de bala perdida, fazendo uso de comoção nacional para colocar a população com a PM.

"Além de completamente mentirosa, é covarde e inescrupulosa. Ele traz uma relação sem qualquer fundamento de um possível aumento do consumo de munições, que é uma mentira. O consumo de munição da unidade relatada não sofreu alterações significativas e se mantém dentro de uma média", comentou a tenente-coronel.

 

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também se posicionou sobre o caso discordando da maneira como a PM atacou o jornalista: "A Abraji repudia o ataque feito pela Polícia Militar do RJ contra o repórter Rafael Soares, autor de reportagem mostrando aumento do uso de munição pelo batalhão dos policiais investigados pela morte das meninas Emilly e Rebeca".

O Instituto Vladimir Herzog também publicou uma nota repudiando o ataque da Polícia Militar: "O Instituto Vladimir Herzog vem a público para repudiar de forma veemente o ataque da Polícia Militar do Rio de Janeiro ao jornalista Rafael Soares, do jornal O Globo".

A Editora Globo, responsável pela publicação dos dois jornais citados, alega que documentos do próprio batalhão de Caxias foram utilizados pelo repórter. “O jornalista, amparado em tais documentos, ouviu e registrou a versão da Polícia Militar sobre os números”.

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