Pandemia

Covid-19: São Paulo restringe funcionamento de bares até às 20 horas

Bebidas alcoólicas não poderão ser vendidas por nenhum estabelecimento do estado após esse horário. Medida vale por 30 dias e pode ser prorrogada. Objetivo é reduzir aglomerações no fim de ano

Bruna Lima
postado em 11/12/2020 14:46
 (crédito: AFP / NELSON ALMEIDA)
(crédito: AFP / NELSON ALMEIDA)

Sob a alegação de que os encontros em bares e restaurantes são os principais motivos que contribuem para a transmissão da covid-19, o governo de São Paulo decidiu restringir ainda mais as regras de funcionamento de bares e restaurantes no estado. Em coletiva nesta sexta-feira (11/12), a secretaria de Saúde divulgou novas regras para evitar aglomerações, com foco nas atividades de lazer. Todos os estabelecimentos ficam impedidos de vender bebidas alcoólicas após as 20 horas.

Os bares, portanto, precisam encerrar as atividades às 20 horas. Restaurantes podem ficar abertos até as 22 horas, desde que interrompam a venda de álcool duas horas antes. As medidas começam a valer a partir deste sábado (12/12) e continuam pelos próximos 30 dias, com possibilidade de prorrogação. O objetivo das restrições é o de impossibilitar aglomerações em estabelecimentos comerciais nas festas de Natal e Ano Novo.

O secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn, relacionou o comportamento dos mais jovens ao aumento das transmissões, trazendo dados de que houve uma mudança no perfil etário por demanda de leitos de covid-19 ao longo da pandemia.Atualmente, são pessoas entre 30 e 50 anos as que mais ocupam as vagas, e não mais a faixa etária de 55 a 75 anos, como foi de março a novembro.

"O jovem não é imune. Também pode adoecer, também pode morrer em decorrência do vírus. Mas, outro aspecto que é fundamental é lembrar o quanto ele é capaz de transmitir (o vírus), tanto para a sociedade quanto para sua própria casa, levando a doença para os pais, os avós, pessoas que respeitam a quarentena e correm o maior risco de evoluir de forma grave", alertou Gorinchteyn.

Por outro lado, o governo decidiu ampliar o horário de funcionamento dos shoppings, a fim de evitar aglomerações durante as compras de fim de ano. A autorização de funcionamento passa de 10h para 12h por dia. A capacidade de 40% de lotação, no entanto, está mantida. "Trabalhamos em diálogo com comércio e representantes de diversas associações de grandes empregadores, e foi unânime a decisão em relação ao horário de funcionamento e o compromisso de todos para evitar aglomerações neste fim de ano. Para isso, vimos a importância de realizar um ajuste na fase amarela para expansão do funcionamento do comércio", afirmou a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico de São Paulo, Patricia Ellen.

"Em nenhum momento, as decisões que foram tomadas não focaram na vida. Mas, a boa notícia é que essas decisões também são as melhores decisões a longo prazo e para a economia. A melhor forma de protegermos a economia e a retomada econômica sustentável, a longo prazo, é protegendo as pessoas", completou Patricia.

Apesar das alterações, não houve mudança nos faseamentos do Plano São Paulo de Flexibilização Econômica, que, desde o fim de novembro, continua na fase amarela, sendo suspenso o relaxamento para a fase verde.

Mais leitos

Outra estratégia adotada para fortalecer o combate à covid-19 foi a ampliação de serviços de saúde. O governo de SP irá custear 2 mil leitos de UTI para tratamento da doença. A Secretaria da Saúde solicitou ao Ministério da Saúde a habilitação permanente desses leitos, visando garantir a continuidade da assistência. "Nós não estamos aguardando índices alarmantes para tomar medidas, estamos agindo de forma preventiva, racional, baseados nas necessidades que encontramos", afirmou Jean Gorinchteyn.

A medida permitirá que os 2 mil leitos sigam custeados com o valor da diária de UTI definida pelo Ministério da Saúde exclusivamente para atendimento aos pacientes com coronavírus, de R$ 1,6 mil por dia. A habilitação abrangerá todas as regiões, em serviços de saúde estaduais, municipais, universitários e conveniados ao SUS em santas casas e filantrópicos.

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