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Brasil volta a ter mais de mil mortes em 24h

País recua a marcas que não eram vistas desde setembro, quando ainda vivia o epicentro da pandemia. Com o acréscimo dos números de São Paulo, Ministério da Saúde contabiliza 1.092 óbitos e quase 69 mil novas infecções. Total, até agora, se aproxima de 185 mil vidas perdidas

BRUNA LIMA MARIA EDUARDA CARDIM
postado em 18/12/2020 00:32

Um dia depois de bater o recorde de casos de covid-19 registrados em um só dia, o Brasil voltou a ultrapassar o patamar de mil mortes nas atualizações diárias do Ministério da Saúde. Com a confirmação de 1.092 óbitos, ontem, o país recua a marcas que não eram vistas desde setembro, ainda no epicentro da pandemia. Além disso, 69.826 novas infecções foram adicionadas ao balanço da pasta, que já soma 7.110.434 casos e 184.827 vidas pedidas para a covid-19.

O aumento contabilizado ontem foi devido ao número de casos acumulados de São Paulo, pois o balanço diário anterior não adicionou os números do estado. Mesmo assim, a semana tem sido de alta nos acréscimos, com mais de 900 mortes sendo registradas também na terça e na quarta-feira — quando, sem o registro de infecções de São Paulo, o país confirmou, pela primeira vez, mais de 70 mil diagnósticos da covid-19, ao alcançar a inédita marca de 70.574 casos confirmados.

A onda de aumentos, que ocorre desde novembro, tem feito a média diária de infecções e óbitos também subir. De acordo com análise do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde, por dia morrem aproximadamente 720 pessoas e há acréscimo diário de 46.948 casos. A média móvel de casos é recorde, pois a maior marca registrada pelo Conass foi de 46.536, em 29 de julho, mês no qual o Brasil atingiu o pico da curva da covid-19.

Nas últimas semanas, o percentual de pessoas que não estão recuperadas também apresenta elevação. São 747.905 acompanhamentos, o que representa 10,5% dos casos da doença. No primeiro dia de dezembro, este percentual era de 8,7% e, no início de novembro, quando o país chegou a registrar menos de 200 óbitos em um dia, o índice girava em torno de 7%.

No ranking mundial, o Brasil ocupa a segunda pior posição em relação ao número de mortes, atrás apenas dos Estados Unidos, que tem 309.947 registros, segundo levantamento da Universidade Johns Hopkins. Em relação ao total de casos, o país só não supera os EUA (17.149.231) e a Índia (9.956.557).

Taxa de transmissão
Outro indicador que ajuda a definir como o novo coronavírus se espalha na América Latina continua em alta no Brasil. De acordo com o novo levantamento do Imperial College de Londres, a taxa de transmissão (Rt) está em 1,13, ou seja, um grupo de 100 doentes é capaz de infectar outras 113 pessoas saudáveis. Após voltar aos níveis de descontrole, o indicador tem oscilado nas últimas semanas. Com o fechamento da semana 49, a Rt foi de 1,14, enquanto que, na semana anterior, estava em 1,02.

Com a elevação de casos e mortes registrados desde novembro, o Brasil volta a ter a situação considerada como “de crescimento” pela análise do Imperial College. No mapa dos 72 países analisados pela instituição, o Brasil tem a 20ª pior situação. Dos países latino-americanos, somente Guatemala, Panamá e Venezuela têm taxas mais altas que a brasileira, com Rt em 1,57, 1,21 e 1,21, respectivamente.

A taxa de transmissão é um dos indicadores que ajuda no controle da pandemia, mas, para se manter baixo, precisa estar alinhada com outros elementos, como números de novos casos e óbitos, taxa de ocupação de leitos, e dados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag).

As altas taxas de infecção acompanham o crescimento de novos casos e mortes por covid-19 que foram registrados no fechamento da semana 50. Houve um aumento de 5,6% em relação à semana epidemiológica 46, passando de 286.905 novos registros semanais para 302.950. A piora no número de óbitos foi de 10,5%, quando a soma, em sete dias, variou de 4.067 para 4.495. Na última semana de outubro, cujo ritmo era de queda, os acúmulos semanais giravam em torno de 155 mil novos casos e 3 mil mortes.


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