230 milhões de doses até julho

Colocado contra a parede, Pazuello põe na conta acordos ainda não concluídos que incluem as vacinas Sputnik V e Covaxin. General promete, também, que as próximas entregas de CoronaVac e Covishield aos estados acontecem ainda este mês

BRUNA LIMA MARIA EDUARDA CARDIM
postado em 17/02/2021 22:34

Prestes a completar 10 milhões de infectados, o Brasil registrou, ontem, 56.766 novos casos da covid-19 e 1.150 mortes pela doença, totalizando 9.978.747 diagnósticos positivos e 242.090 óbitos no país. Após a vacinação contra o novo coronavírus ser interrompida em várias cidades, prefeitos e governadores cobram um posicionamento do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que afirmou, ontem, em reunião virtual, que 230,7 milhões de doses de vacinas contra covid-19 serão distribuídas até julho deste ano, entrando na conta acordos ainda não concluídos que incluem a Sputnik V e a Covaxin no Programa Nacional de Imunização (PNI).

Segundo o cronograma do governo federal, as próximas entregas aos estados acontecem ainda este mês, com a importação de dois milhões de doses da Covishield — conhecida como a vacina de Oxford — da Índia e a liberação de 9,3 milhões da CoronaVac, produzidas pelo Instituto Butantan. A promessa, contudo, já vem defasada, visto que, durante coletiva do governo de São Paulo, que precedeu a reunião com os governadores, o diretor do Butantan, Dimas Covas, informou que serão entregues em oito dias mais 3,4 milhões de doses da CoronaVac, a partir da próxima terça-feira. Ou seja, serão liberadas, em média, 426 mil doses por dia de 23 de fevereiro a 2 de março. Com isso, a remessa enviada, em fevereiro, não atenderá nem metade do previsto em contrato para o mês.

Dos 9,3 milhões de doses, estarão nas mãos do ministério aproximadamente 4,5 milhões, já contando com 1,1 milhão distribuído aos entes federativos na primeira semana do mês. O Correio questionou o Instituto Butantan e o MS a respeito dos 4,8 milhões de doses que ficarão faltando de acordo com as contas feitas pela reportagem. Por meio de nota oficial, o instituto paulista não informou se o montante será compensado em março ou abril. Apenas frisou estar engajado na missão de acelerar o processo de produção, transferindo a responsabilidade para a pasta.

“Apesar da completa ausência de planejamento do governo federal em relação à vacinação no Brasil e da falta de empenho da diplomacia brasileira que culminou com o atraso na liberação de novos insumos vindos da China — viabilizados somente após intervenção do governo de São Paulo —, o instituto trabalha diuturnamente para viabilizar novas entregas de doses ao PNI”, defendeu o Butantan em nota. O Ministério da Saúde, por sua vez, não se manifestou até o fechamento desta edição.

Apesar do atraso previsto para fevereiro, o Butantan informou que antecipará para agosto a entrega das 54 milhões de doses adicionais contratadas pelo Ministério da Saúde — anteriormente prevista para o fim de setembro. Ao todo, serão 100 milhões de doses da CoronaVac incorporadas ao PNI. Segundo Covas, o adiantamento será possível porque o número de funcionários que cuidam especificamente do programa de ênfase na fábrica da vacina dobrou, passando de 150 para 300. Outro fator que ajudará na celeridade é a disponibilização de mais um local de produção que, atualmente, está sendo utilizado para fabricar a vacina contra a gripe.

Se, por um lado, parte da remessa da CoronaVac prevista para fevereiro ficará só no papel, a expectativa é de que cheguem até a próxima quinta-feira mais dois milhões de doses da Covishield, produzida pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, que serão importadas da Índia. A informação foi confirmada pelo governador do Piauí, Wellington Dias, presidente do Consórcio Nordeste e coordenador da temática de vacina no Fórum Nacional de Governadores.

“Até abril vamos totalizar 104 milhões de doses, o que é suficiente para imunizar os 50 milhões de brasileiros da primeira fase, onde está o grupo de maior risco. A expectativa de efeito é uma redução da pressão com internações e dos óbito nesse grupo, que corresponde por cerca de 70% das hospitalizações e mortes. Até segunda-feira o ministro vai apresentar com sua equipe para todos os estados o cronograma do quantitativo para cada unidade da federação em relação ao que foi passado na reunião”, destacou Dias.

O cronograma apresentado por Pazuello também inclui negociações, que ainda não foram fechadas oficialmente, com os laboratórios União Química/Gamaleya e Precisa/Bharat Biotech, que pretendem garantir a chegada da vacina russa Sputnik V e da indiana Covaxin, respectivamente. “A previsão é de que o contrato com os dois laboratórios seja assinado ainda nesta semana”, disse o ministério.

Sob pressão
A falta de informações concretas sobre o PNI faz com que Pazuello continue sujeito às pressões. Por meio de nota, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) pediu na última terça-feira a troca de comando da pasta. “Por considerar que a vacinação é o único caminho para superar a crise sanitária e possibilitar a retomada do desenvolvimento econômico e social e por não acreditar que a atual gestão reúna as condições para conduzir este processo, o movimento municipalista entende necessária, urgente e inevitável a troca de comando da pasta”.

 

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