Mais de 10 milhões de casos

Lentidão na vacinação, dificuldade do governo em reunir um estoque suficiente de imunizantes, desdém das autoridades e desrespeito às medidas de contenção contra o novo coronavírus pela população reforçam números que comprovam o descontrole da covid-19

Bruna Lima Maria Eduarda Cardim Carinne Souza*
postado em 18/02/2021 23:10

O Brasil alcançou, ontem, a marca de mais de 10 milhões de infectados pelo novo coronavírus — exatamente 10.030.626, conforme divulgado pelo site do Ministério da Saúde. Entre a quarta-feira e ontem, houve mais 51.879 registros de pessoas que contraíram a covid-19. As mortes provocadas pela doença também não dão sinal de trégua: 243.457 no acumulado, sendo que nas últimas 24h foram 1.367 óbitos. Ao mesmo tempo, a vacinação avança a passos lentos, com registros de cidades em várias regiões do país sendo obrigadas a interromper o programa de imunização por não terem mais doses a oferecer à população

Os infectologistas são enfáticos ao dizerem que, passado o carnaval, no qual se flagraram inúmeras festas clandestinas –– que reuniram pessoas nada preocupadas com as medidas de proteção contra a covid-19 ––, a tendência é de que os números de casos e de mortes voltem a ter uma arrancada semelhante à que se verificou na virada do ano, quando, apesar das recomendações dos especialistas para que se mantivesse o distanciamento social, ocorreu o contrário.

Por conta do recrudescimento da transmissão, os secretários estaduais de Fazenda reivindicam mais recursos ao governo federal para conseguir atender à população. Em uma carta enviada, ontem, aos ministérios da Saúde e da Economia, os gestores argumentaram que a verba é necessária para custear leitos de UTI, além da rede de vigilância e monitoramento em um momento em que, segundo o documento, houve redução nos investimentos.

“Durante a primeira onda, foi possível mobilizar estruturas existentes para atender à demanda da pandemia. A partir da segunda onda, essa estratégia não é viável, posto que condições preexistentes voltaram a crescer e coexistem com uma quádrupla carga de doenças: covid-19, causas externas, doenças crônicas degenerativas e outras doenças infectocontagiosas e metabólicas/nutricionais conhecidas”, justificou o documento dos secretários.

Recursos extras
O Ministério da Saúde tem alegado que, de R$ 41,7 bilhões previstos para assistência às unidades da Federação, R$ 24 bilhões ainda estavam parados e, por isso, permitiu que um percentual maior dos recursos fossem empregados na manutenção dos leitos de unidade de terapia intensiva (UTI). No entanto, os secretários de Fazenda alegam que os aportes recebidos no final do ano são insuficientes para financiar a rede.

A carta é assinada pelo presidente do Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) e gestor da pasta no Piauí, Rafael Fonteles, e por outros 25 secretários estaduais de Fazenda, com exceção de Roraima. O documento reforça o pedido feito pelo governador João Doria, que vem reivindicando mais verba federal para gerir os leitos de UTI.

Nas últimas semanas, o governo de São Paulo acusou o federal de ter desabilitado 3.258 leitos de UTI destinados a pacientes com covid-19 no estado. Por isso, ajuizou uma ação junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o Ministério da Saúde volte a habilitar os leitos que deixaram de ser pagos pela pasta em dezembro.

O tema voltará a ser debatido, hoje, na reunião com a Frente Nacional de Prefeitos (FNP), que contará com a presença do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

*Estagiária sob a supervisão de Fabio Grecchi

 

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