SAÚDE

Covid-19: Pazuello, enfim, admite a força do vírus e reconhece falhas

Ministro diz que pasta acreditava que chegada da vacina arrefeceria a pandemia e que mutação e avanço da cepa amazônica têm dificultado o combate à covid-19. Ontem, país chegou às 251.498 mortes, com 1.541 óbitos nas últimas 24h, segundo maior número da contagem oficial

Bruna Lima
Maria Eduarda Cardim
postado em 26/02/2021 06:00
 (crédito: Tania Rego/Agencia Brasil)
(crédito: Tania Rego/Agencia Brasil)

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, reconheceu, ontem, que o Ministério da Saúde falhou ao acreditar que a chegada da vacina colocaria um freio no avanço da covid-19 no país, sobretudo porque o governo observava uma situação de “estabilidade” no número de mortes e casos em outubro e novembro. Embora não tenha sido claro ao admitir a reação equivocada da pasta, disse que a nova fase da pandemia é ainda mais grave do que a primeira. Ontem, de acordo com os números do ministério, o Brasil chegou a 251.498 mortes pela covid-19, sendo que nas últimas 24h foram registrados 1.541 óbitos. O número de casos é de 10.390.461 infecções.

“Várias cidades do país, vários locais estão subindo (os números de infectados). Não está centrado apenas no Norte e Nordeste, como vimos ano passado. Precisamos estar alerta e preparados para isso”, salientou Pazuello, ao lado dos presidentes dos conselhos nacionais de secretários de saúde estaduais (Conass) e municipais (Conasems), Carlos Lula e Wilames Freire, respectivamente.

O general atribuiu ao surgimento das novas variantes a atual dificuldade em controlar a pandemia. “O vírus mutado tem três vezes mais capacidade de contaminação, e a velocidade pode surpreender o gestor em termos de estrutura e apoio. Essa é a realidade que temos hoje no Brasil”, explicou. Segundo ele, a cepa descoberta em Manaus, a P.1, “já faz parte do cotidiano e está em outros estados brasileiros”.

Os presidentes dos conselhos fizeram declarações em tom de alarme e preocupação. Lula disse que o país vive o momento mais duro da pandemia, e Freire afirmou que é preciso voltar a orientar a população a seguir medidas contra o vírus. Eles alertaram, ainda, que o sistema de saúde de estados e municípios funciona no limite e que a iminência de colapso não está concentrada em apenas uma região. Durante o pronunciamento, o presidente do Conass afirmou que há, pelo menos, 15 estados com capacidade de lotação dos leitos de UTI acima de 90%.

“Todos os estados têm criado mais leitos, mas apenas isso não adianta. Precisa de ajuda da sociedade. Tem de entender que não é hora de fazer festa. O que a doença precisa é de pouco ar, ambiente fechado”, disse. E acrescentou: “Precisamos ligar o alerta porque, sem dúvida, viveremos as semanas mais difíceis em março e abril”, salientou.

No limite

O ministro anunciou que o governo federal voltará a realizar o financiamento de leitos de UTI de forma antecipada, com depósitos a cada mês para viabilizar o uso destes espaços –– o repasse para leitos tem sido uma reclamação de secretários. Sem dar detalhes, o general também citou a possibilidade de mais remoções de pacientes de locais em colapso, mas o presidente do Conass afirmou que os estados estão “no limite”.

Pazuello salientou que a vacinação está “tendendo à estabilidade em termos de produção e quantidade de doses” e voltou a afirmar que metade da população “vacinável” deve receber o imunizante até metade do ano –– menores de 18 anos, por exemplo, ainda não recebem as doses. O ministro estimou que a população total que pode ser imunizada é de 160 a 170 milhões de pessoas. Acrescentou que a compra das vacinas da Pfizer e Janssen pode ser viabilizada com mudanças na legislação para que a União assuma riscos de efeitos colaterais dos produtos.

“Temos quase um ano de pandemia. Acredito que o governo federal, o SUS como um todo, não deixamos nada para trás. Não deixamos nada nem ninguém para trás”, disse.

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