Polícia

Covid-19: Polícia Civil ouve vereador que abriu caixão com facão

Advogado do vereador William Faria (PT) disse que ele cometeu apenas 'erro de proibição'. Resultado do teste RT-PCR, feito no idoso, deu inconclusivo

Tim Filho - Especial para o Estado de Minas
postado em 29/04/2021 15:50
 (crédito: Reprodução / Redes sociais)
(crédito: Reprodução / Redes sociais)

O Casu-Hospital Irmã Denise divulgou na quarta-feira (28/4) o resultado do teste RT-PCR feito com material coletado do idoso cujo corpo estava no caixão lacrado, que foi aberto com facão pelo vereador William Faria (PT), em Santa Bárbara do Leste.

"Informamos que o teste apresentou resultado indetectável, porém não podemos considerar que é um resultado conclusivo e nem descartar a infecção, uma vez que o paciente apresentava apenas três dias de sintomas, e devido ao óbito, não foi possível realizar a contra prova do exame", informou o Casu, em nota.

O paciente que morreu com sintomas da covid-19, José Vieira do Carmo, de 91 anos, morava em Entre Folhas, cidade próxima a Santa Bárbara do Leste, onde ele tinha familiares.

O Casu esclereceu que o homem deu entrada na UTI covid-19 no hospital na madrugada de domingo (25/4), transferido via SUS Fácil, da UPA Caratinga, já intubado. O laudo foi direcionado ao hospital, por meio da central de regulação, como caso suspeito para covid-19 e o paciente apresentava sintomas graves e sugestivos para a doença há aproximadamente três dias, de acordo com a nota expedida pelo Casu.

Sobre os protocolos e as declarações de óbito do paciente, seguidos pelo Casu, o hospital esclareceu que seguiu as orientações do Conselho Federal de Medicina (CFM) e Ministério da Saúde (MS). E que neste caso, o velório é proibido pelas instâncias sanitárias do governo, devido à alta transmissibilidade do vírus.

Vereador depõe na Polícia Civil

O vereador William Faria (PT), que abriu com um facão o caixão lacrado com o corpo do idoso, compareceu à Delegacia de Polícia Civil de Caratinga na quarta-feira (28/4) para prestar depoimento. Seu advogado, Alexsandro Victor de Almeida, disse que seu cliente é acusado da prática de dois delitos: infringência à norma sanitária e violação de urna mortuária.

Disse que o vereador abriu o caixão a pedido dos familiares e depois de ler o documento que atestava o óbito, que é idôneo, e que declarava que o homem não havia morrido pela covid-19. "Ele entendeu que não estava cometendo nenhuma irregularidade sanitária e também não estava cometendo delito de violação de urna mortuária. Ele cometeu um erro de proibição, que o isenta de pena. Quero crer que a autoridade policial deverá concluir pela atipicidade da conduta do vereador", disse.

Além do inquérito policial contra ele, o vereador terá de se defender em outros dois processos. A Câmara Municipal de Santa Bárbara do Leste está investigando a conduta do vereador e criou uma comissão parlamentar com este fim. Outro processo foi aberto pela Executiva Estadual do Partido dos Trabalhadores, que já afastou o vereador e pode expulsá-lo do partido.

O que é um lockdown?

Saiba como funciona essa medida extrema, as diferenças entre quarentena, distanciamento social e lockdown, e porque as medidas de restrição de circulação de pessoas adotadas no Brasil não podem ser chamadas de lockdown.

Vacinas contra covid-19 usadas no Brasil

Oxford/Astrazeneca

Produzida pelo grupo britânico AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, a vacina recebeu registro definitivo para uso no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No país ela é produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

CoronaVac/Butantan

Em 17 de janeiro, a vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan no Brasil, recebeu a liberação de uso emergencial pela Anvisa.

Janssen

A Anvisa aprovou por unanimidade o uso emergencial no Brasil da vacina da Janssen, subsidiária da Johnson & Johnson, contra a covid-19. Trata-se do único no mercado que garante a proteção em uma só dose, o que pode acelerar a imunização. A Santa Casa de Belo Horizonte participou dos testes na fase 3 da vacina da Janssen.

Pfizer

A vacina da Pfizer foi rejeitada pelo Ministério da Saúde em 2020 e ironizada pelo presidente Jair Bolsonaro, mas foi a primeira a receber autorização para uso amplo pela Anvisa, em 23/02.

Como funciona o 'passaporte de vacinação'?

Os chamados passaportes de vacinação contra covid-19 já estão em funcionamento em algumas regiões do mundo e em estudo em vários países. Sistema de controle tem como objetivo garantir trânsito de pessoas imunizadas e fomentar turismo e economia. Especialistas dizem que os passaportes de vacinação impõem desafios éticos e científicos.

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