Reconhecimento

Delegado da PF substituído após atribuir crimes a Salles ganha apoio de colegas

Alexandre Saraiva passou quatro anos na chefia da PF da Amazonas. O delegado foi substituído um dia enviar ao STF notícia-crime contra Salles, por obstrução de investigação ambiental, advocacia administrativa e organização criminosa

O delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva, ex-superintendente da corporação no Amazonas que foi substituído após enviar ao Supremo Tribunal Federal notícia-crime contra o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, recebeu apoio de seus pares por sua "dedicação e excelência" à frente da unidade.
O delegado publicou no sábado, 24, em seu perfil no Twitter uma foto da placa que recebeu do efetivo da PF no Amazonas e afirmou: "Honra maior não existe".
"Demonstrou coragem, atitude e profissionalismo, desde os trabalhos mais simples às mais complexas operações, sendo reconhecido por seu brilhante trabalho em defesa da Amazônia e da Polícia Federal, colocando esta Superintendência em destaque nacional e internacional", registrou a homenagem.
A troca no comando da unidade foi confirmada um dia após Saraiva enviar ao STF notícia-crime contra Salles, por obstrução de investigação ambiental, advocacia administrativa e organização criminosa. A justificativa era de que o delegado já havia sido sondado sobre a mudança.
Ao Estadão, o delegado afirmou que recebeu a ligação de um "amigo" sobre uma adidância. Saraiva diz que "não foi comunicado antes" sobre sua saída do comando: "Só tem duas formas de me comunicar oficialmente - ou meu chefe me liga, pelo principio da hierarquia, que é o diretor-geral, ou publicação no Diário Oficial".
Saraiva passou quatro anos na chefia da PF da Amazonas. Em 2019, o delegado foi o pivô da primeira crise entre o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro e o presidente Jair Bolsonaro, em 2019.