ATAQUE EM RORAIMA

PF segue para Terra Indígena Yanomami após ataque de garimpeiros ilegais

Os disparos teriam sido direcionados ao indígenas, que revidaram; quatro garimpeiros e um índigena ficaram feridos

Pedro Ícaro*
João Vitor Tavarez*
postado em 11/05/2021 17:22 / atualizado em 11/05/2021 17:33
 (crédito: Polícia Federal)
(crédito: Polícia Federal)

Uma comunidade na região do Palimiú, dos povos indígenas Yanomami, em Roraima, foi alvo de um tiroteio na segunda-feira (10/5). Segundo relatos, os tiros vieram de um grupo de garimpeiros ilegais que passava pelo rio Uraricoera, e os indígenas revidaram. A Polícia Federal informou que soube do ocorrido ainda na tarde de ontem e que uma equipe foi organizada para se deslocar até a Terra Indígena Yanomami, porém não houve êxito devido ao mau tempo. Na tarde desta terça-feira (11), a PF se pronunciou sobre o caso por meio de nota.

“Uma equipe da Polícia Federal de Roraima e de militares do Exército Brasileiro está partindo agora para a reserva indigena Yanomami, na comunidade indigena Palimiú (coordenada 03°19′49.82″N 62°58′16.42″W), que é também conhecida pelos garimpeiros como 'Comunidade dos Americanos'. São 2 horas de avião desde a capital Boa Vista”.

Um vídeo postado no Twitter da ativista Thyara Pataxó mostra o exato momento em que os disparos são feitos em direção aos indígenas.

A Fundação Nacional do Índio (Funai), juntamente à Coordenação da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami Yekuana (CFPE-YY), emitiu um relatório em que descreve o ataque e afirma que, para colher mais informações, será necessário a ida até ao local junto com as forças de segurança, pois os moradores da comunidade temem a volta dos garimpeiros.

“Sete barcos de garimpeiros portando armas de fogo atiraram contra indígenas daquela comunidade que revidaram o ataque, resultando em cinco feridos, sendo um indígena e quatro garimpeiros. Não foi possível colher maiores informações sobre o fato, contudo é possível afirmar que este não foi o primeiro conflito naquela região e os indígenas temem novos ataques”, explicou o órgão.

 

O vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami (HAY), Dário Kopenawa, enviou ofícios à PF, ao Ministério Público Federal e ao Exército pedindo ajuda aos órgãos. “Peço que atuem com urgência para impedir a continuidade da espiral de violência no local e garantir a segurança para a comunidade Yanomami de Palimiú”, disse.

Em 30 de abril, Dário informou à Funai, também por meio de ofício, que no dia 27 do mesmo mês um grupo de indígenas havia apreendido um barco com cinco garimpeiros e uma carga de cerca de 900 litros de combustível. Em retaliação, sete garimpeiros dispararam contra a comunidade indígena.

*Estagiários sob a supervisão de Andreia Castro

 

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