SAÚDE

Covid-19: estados remanejam vacinas para grávidas e puérperas

Secretarias de saúde ficam liberadas para utilizarem doses de imunizantes de outros fabricantes nas gestantes com doenças pré-existentes, após ministério e Anvisa não recomendarem a aplicação, em grávidas e puérperas, do fármaco da AstraZeneca

Maria Eduarda Cardim
Gabriela Bernardes*
postado em 13/05/2021 06:00
 (crédito: Noel Celis/AFP)
(crédito: Noel Celis/AFP)

Um dia depois de o Ministério da Saúde suspender, temporariamente, a vacinação de grávidas e puérperas — mulheres que deram à luz há pouco tempo — sem comorbidades com a vacina Oxford/AstraZeneca, estados tiveram que remanejar as doses de outros imunizantes para que gestantes com doenças pré-existentes continuem sendo atendidas. Para elas, serão ministradas doses da CoronaVac e da Comirnaty/Pfizer, conforme recomendação da pasta.

No Distrito Federal, a retomada será hoje (leia mais na página 20), enquanto que em São Paulo, por exemplo, o recomeço será na próxima segunda-feira. Ao todo, 100 mil gestantes e mães recentes que têm comorbidades poderão receber a vacina contra a covid-19 no estado.

O Paraná também afirmou que será possível retomar a vacinação de grávidas com comorbidades. O estado vai receber do ministério mais 244,8 mil doses, das quais 126.800 da CoronaVac. Alguns locais, como a cidade do Rio de Janeiro, conseguiram retomar ontem mesmo a vacinação desse grupo.

A interrupção do uso da vacina da AstraZeneca em grávidas e puérperas ocorreu após a morte de uma gestante, de 35 anos, no Rio de Janeiro. O caso, porém, está em investigação e não há comprovação da relação entre o imunizante e o evento adverso grave.

O Butantan, aliás, entregou ontem mais 1 milhão de doses da CoronaVac ao Programa Nacional de Imunizações e concluiu o envio de 46 milhões de unidades, fechando o primeiro contrato firmado com o governo federal, em janeiro. O Ministério da Saúde também recebeu mais 628 mil doses da Corminaty.

Cloroquina inalada

Depois de o Conselho Federal de Medicina estabelecer como “procedimento experimental” a administração de hidroxicloroquina e cloroquina por meio de inalação, médicos alertam para os perigos da prática. Pneumologistas dizem que a nebulização com comprimidos pode inflamar o pulmão e piorar a condição de pacientes com covid-19.

“O comprimido foi desenvolvido para ser absorvido pelo trato intestinal e não para nebulização”, lembra André Nathan Costa, pneumologista do Hospital Sírio-Libanês. Ele explica que a superfície do pulmão é muito delicada e pode ser inflamada pela inalação do medicamento.

Existem medicamentos que são inalatórios, como alguns tratamentos para bronquite, mas foram desenvolvidos para isso. “São remédios que foram testados pela indústria farmacêutica com essa finalidade, foram desenvolvidos para serem bem tolerados pelo pulmão”, diz Costa, acrescentando que não é o caso de comprimidos macerados.

O presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), Frederico Fernandes, reforça a crítica. “É algo criminoso. É uma ideia de quem desconhece fisiopatologia e o método científico. Não recomendo a inalação de comprimidos a ninguém”, alerta.

Fernandes salientou que os comprimidos possuem silicato, uma substância similar a um talco. O pulmão entende o silicato como um corpo estranho e se “fecha”, aumentando a dificuldade de respirar. Essa reação, junto com a inflamação do órgão, tende a piorar o quadro do paciente.

Pelo menos cinco pessoas morreram no Brasil depois de serem submetidas à nebulização com cloroquina — quatro casos aconteceram no Rio Grande do Sul e um no Amazonas. Segundo a Apsen, farmacêutica que é a principal fabricante da hidroxicloroquina no Brasil, a utilização do medicamento é recomendada apenas nas indicações previstas em bula e aprovadas pela Anvisa.

“Não há estudos dos efeitos do Reuquinol administrado por vias não recomendadas. Portanto, por segurança e para garantir a eficácia desse medicamento, a administração deve ser feita somente por via oral, conforme indicado em bula. Reforçando que não há aprovação de nenhum órgão regulador da saúde, nem da OMS, para sua utilização no tratamento da covid-19”, avisa. (Estagiária sob a supervisão de Fabio Grecchi*)

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