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Nível dos rios continua subindo no Amazonas e já afeta a população

Em Parintins, além de alagar ruas da cidade, a cheia do Rio Amazonas causou prejuízos a produtores rurais que perderam plantações cultivadas em áreas de várzea

Agência Brasil
postado em 17/05/2021 21:10
 (crédito: REUTERS/Bruno Kelly?Direitos reservados)
(crédito: REUTERS/Bruno Kelly?Direitos reservados)

O volume de água nos principais rios que cortam o estado do Amazonas continua aumentando, afetando a população de algumas das cidades. Em Parintins, o nível do Rio Amazonas já ultrapassou a marca histórica de 9,38 metros, registrada em junho de 2009.

Já o Rio Negro atingiu, hoje (17), a marca de 29,72 metros de profundidade próximo à Manaus, onde a cota de inundação severa, de 29 metros, foi superada no dia 30 de abril.

A cota de inundação severa é a maior dentre as quatro marcas de monitoramento estabelecidas pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), superior à cota de inundação, que é definida em função do nível a partir do qual a cheia de um rio começa a causar os primeiros danos ou contratempos.

Em Parintins, além de alagar ruas da cidade, a cheia do Rio Amazonas causou prejuízos a produtores rurais que perderam plantações cultivadas em áreas de várzea. A prefeitura disse que está ajudando as famílias afetadas, distribuindo cestas básicas e madeira para a construção de pontes e marombas – como são chamadas as espécies de plataforma que moradores de casas alagadas constroem para suspender o assoalho acima do nível da água.

Na semana passada, contudo, o prefeito de Parintins, Bi Garcia (DEM), admitiu que, devido à procura, estava enfrentando dificuldades para adquirir madeira. "Estamos com muita dificuldade na compra de madeira. A prefeitura só pode comprar madeira legalizada. Vamos priorizar as pontes para depois buscar ajuda para fazer maromba nas residências que estão alagadas pela enchente do Rio Amazonas", declarou Garcia após visitar comunidades atingidas.

Já em Manaus, a prefeitura anunciou que utilizará sacos com areia para erguer barricadas ao longo da Avenida Eduardo Ribeiro, no centro, a fim de conter o avanço das águas devido à cheia do Rio Negro. Segundo a prefeitura, em toda a série histórica, a marca atingida esta manhã, de 29,72 metros, só fica atrás das registradas em 2012, de 29,97 metros, e em 2009, de 29,77 metros. Pontes e passarelas provisórias continuam surgindo por toda a cidade, como forma de preservar a movimentação das pessoas. No dia 6, a prefeitura decretou situação de emergência na cidade por 90 dias. 

A situação tende a se agravar nas cidades ribeirinhas. Segundo o Serviço Geológico do Brasil, em praticamente todas as bacias, os níveis dos rios encontram-se altos para esta época do ano. Na Bacia do Amazonas, por exemplo, o volume de água deve continuar aumentando por força das chuvas que atingem a Região Norte. Mesma situação é verificada na Bacia do Rio Negro. Especialistas estimam que, próximo a Manaus, o nível do rio pode ultrapassar a marca de 30,35 metros. 

"Em termos probabilísticos, é seguro afirmar que o nível do Rio Negro deve atingir entre 29,50 metros e 30,50 metros. Ou seja, a depender das chuvas, é grande a probabilidade de ocorrer uma cheia tão severa quanto a de 2012, quando o nível atingiu 29,97 metros. Precisamos estar preparados", alertou a pesquisadora Luna Gripp Simões Alves no final de abril, quando o Serviço Geológico do Brasil divulgou seu segundo alerta de cheias para o estado. 

Na mesma ocasião, o meteorologista do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) Renato Senna destacou uma tendência à intensificação das chuvas que já vinham atingido a Bacia do Rio Negro e outras regiões.

"O Censipam prevê chuvas acima dos padrões climatológicos para o sul de Roraima e para o norte e o noroeste do Amazonas, o que afetará o comportamento das bacias dos rios Negro, Japurá e Içá, bem como o curso do Amazonas e a calha do Solimões", disse Senna, explicando que isso se deve aos efeitos do fenômeno climático conhecido como La Niña, durante o qual a temperatura das águas do Oceano Pacífico caem, causando mudanças nos padrões de chuvas.

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