Violência

Gil do Vigor e Taís Araújo sobre Kathlen: "Que Deus conforte a família"

Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro investiga a morte de modelo, grávida de quatro meses, durante operação policial. Cinco PMs já prestaram depoimentos. Armas usadas na operação foram apreendidas

João Vitor Tavarez*
 Pedro Ícaro*
postado em 09/06/2021 21:52 / atualizado em 09/06/2021 21:56
 (crédito: Reprodução/Gshow)
(crédito: Reprodução/Gshow)

O Rio de Janeiro protagoniza mais um episódio de violência, com a possível participação de policiais militares. Desde a última terça-feira (8/6), a capital fluminense está em comoção após a morte da jovem Kathlen Romeu, de 24 anos, grávida de quatro meses. Design de interiores e modelo, ela foi atingida durante uma troca de tiros entre bandidos e policiais em uma ação da Polícia Militar no bairro Lins de Vasconcelos, na Zona Norte da cidade.

Horas antes de ser morta, Kathlen postou em uma rede social uma foto com a legenda “Bom dia neném”. A jovem, formada em design de interiores, já planejava o quarto do bebê e tinha escolhido o nome: seria Maya ou Zayon. O designer gráfico e tatuador Marcelo Ramos, marido de Kathlen, prestou homenagem à esposa falecida, também em uma rede social.

“Nunca será esquecida meu amor, você, a Maya/Zayon sempre irão morar dentro de mim, estou completamente sem chão, às vezes é difícil entender a vontade de Deus, mas sei que você está melhor que nós. Aqui só vai ficar saudades e as lembranças de você, a pessoa mais radiante e animada que eu conheci na minha vida, vou vencer por você. Que Deus me dê forças. Eu te amo eternamente”, falou.

Artistas lamentam

A atriz Taís Araújo em uma série de posts em sua rede social prestou apoio à família. “Que Deus conforte os corações da família de Kathlen Romeo, uma jovem modelo e designer de interiores de 24 anos, grávida de 14 semanas, morta com um tiro na cabeça durante uma operação policial no Complexo do Lins, no Rio de Janeiro. E que a Justiça seja feita”, postou.

O ex-BBB Gil do Vigor também postou sua indignação em seu perfil no twitter. “Que Deus conforte a família da Kathlen. Morta em uma operação policial. Falei tanto sobre minha pesquisa sobre repressão no mercado de drogas, mas é sempre muito triste. Pq ela destrói famílias e vidas ainda em construção. A bala não é perdida se sempre encontra os mesmos corpos”, falou.

Investigação

A Delegacia de Homicídios (DH) do Rio de Janeiro investiga o caso. Cinco policiais militares que estiveram envolvidos no tiroteio prestaram depoimentos. A Polícia Civil também apreendeu doze fuzis e nove pistolas usadas por PMs. Até o fechamento desta matéria as corpotações não se pronunciaram.

Denúncias foram enviadas ao plantão institucional do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e estão sendo apuradas. O plantão é um serviço de atendimento 24h que recebe denúncias de casos de violência e abusos de autoridade durante operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro.

“O plantão institucional recebeu denúncias sobre o fato, após o incidente. As informações colhidas serão remetidas para a Promotoria de Justiça de Investigação Penal com atribuição. Não houve comunicação pela autoridade policial sobre operação na localidade”, informou o MPRJ em nota.

A ong Rio de Paz lamentou o episódio. "O destino trágico da jovem negra, brasileira, moradora de comunidade pobre Kathlen de Oliveira Romeu, de apenas 24 anos, grávida de 14 semanas, soma-se ao de tantos outros cidadãos cariocas mortos em circunstâncias análogas. Uma vida foi interrompida na flor da idade e outra não teve nem o direito de nascer. O que isso mudará na política de segurança pública do nosso Estado?”, disse Antônio Carlos Costa, presidente da ong, em nota. 

Revolta na comunidade

A morte de Kathlen revoltou os moradores da comunidade. Eles realizaram um protesto na última terça-feira (08/06) na autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, que liga a zona Oeste e Norte do Rio. A via foi fechada por volta das 16h15 nos dois sentidos. Só reabriu às 18h35, o sentido Grajaú, e às 19h o sentido Jacarepaguá, segundo informações do Centro de Operações Rio (COR).

Para o coordenador do Movimento Negro Unificado do Distrito Federal (MNU-DF), Geovanny Silva, a política de segurança pública, particularmente a atuação da Polícia Militar do Rio de Janeiro, precisa ser revista. “Recebemos com muita dor a notícia da morte da Kathlen. Isso reforça a necessidade de treinamento cotidiano e acompanhamento psicológico das polícias militares, para que não ameacem, sobretudo, as vidas de pessoas negras. Nós, do movimento, estamos cansados de estar sob risco físico e psicológico. O poder público precisa de um olhar mais atencioso para a questão de segurança pública, e entender que o sistema de policiamento militar está fracassado, e por isso precisa, urgentemente, de reformulação”, comentou.

No cemitério do Catumbi no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (09/06), o corpo da jovem foi velado na presença de familiares e amigos. Muito comovidos, familiares e amigos de Kathlen passaram mal. A avó paterna da jovem precisou ser amparada pelos familiares. A caminho do túmulo, a mãe da vítima clamava por justiça. “Quero justiça, nem que seja a última coisa que eu faça da vida”, disse.

Na tarde desta quarta-feira (9/6), os moradores do Rio de Janeiro testemunharam mais cenas de violência. Uma mulher morreu e um homem ficou ferido em Copacabana, após um atirador efetuar disparos contra um bar. 

 

* Estagiários sob a supervisão de Carlos Alexandre de Souza 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

CONTINUE LENDO SOBRE