Mato Grosso

Servidor negro é acusado injustamente de ter roubado sapatos em loja no MT

Caso aconteceu na última quinta-feira (10/6) e a vítima registrou boletim de ocorrência por injúria, calúnia e lesão corporal

Jonatas Martins*
postado em 16/06/2021 18:28
 (crédito: Arquivo Pessoal/Reprodução)
(crédito: Arquivo Pessoal/Reprodução)

Funcionários de uma loja do Shopping Pantanal, em Cuiabá (MT), teriam acusado o servidor público Paulo Arifa de ter roubado um par de sapatos, que ele tinha acabado de comprar. O caso aconteceu na última quinta-feira (10/6) e a vítima registrou boletim de ocorrência por injúria, calúnia e lesão corporal. As informações são do portal UOL.

O homem de 38 anos comprava roupas e calçados para participar de uma reunião antecipada. Na loja Studio Z, ele comprou um par de sapatos e já os calçou. Depois disso, foi para outro estabelecimento com o intuito de comprar uma calça. Nesse espaço, ele foi abordado por um segurança enquanto saia do provador com a roupa.

“Escutei a vendedora falando ‘ele pegou o sapato’, ainda questionei sobre o que ela estava falando e ela repetiu que eu havia roubado o calçado. Nesse momento o segurança me abordou e pediu a nota fiscal”, contou.

Com a situação, o servidor ficou nervoso e não conseguiu encontrar o comprovante de pagamento. Ele conta que foi cercado por um grupo de seguranças enquanto respondia às acusações e chegou a ser empurrado enquanto tentava convencê-los que havia comprado o produto. Com a queda, Paulo Arifa torceu o tornozelo.

O homem ligou para a coordenadora do seu trabalho para que fosse ajudado. Momentos depois, o servidor encontrou o comprovante na bermuda que usava antes de comprar as peças novas.

Paulo voltou ao shopping para comprovar a compra diante do local. Ele relatou que a resposta foi que os seguranças seguiram um procedimento operacional padrão. “Esse maldito procedimento operacional padrão parece que está no DNA de uma pessoa que nasce com determinada cor de pele”, afirmou.

O Pantanal Shopping informou que “não tolera nenhuma forma de discriminação ou violência e que o tratamento narrado não faz parte das diretrizes do shopping, que baseia a abordagem com o público de forma geral em valores como ética, respeito, humildade e transparência”. Além disso, o empreendimento afirmou que abriu processo administrativo interno para “apuração dos fatos para entender em detalhes a postura da equipe e tomar todas as medidas cabíveis para que casos como este não voltem a se repetir''.

Em nota divulgada nas redes sociais, a Studio Z também se pronunciou. A loja afirmou que lamenta o episódio ocorrido e declara já estar tratando com as partes envolvidas. “A empresa repudia todo e qualquer tipo de preconceito e discriminação racial, física e social. A marca reforça seus valores e reitera que é uma empresa inclusiva, diversa, que respeita e valoriza a igualdade”.

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