PANDEMIA

Enfermeira de Ouro Preto faz apelo: 'Não quero intubar familiar de vocês'

Em vídeo, Magaly Leite fala sobre os dramas vividos por quem pega a forma grave da COVID-19 e pede à população que fique em casa

Nivia Machado - Especial para o EM
postado em 21/06/2021 23:27
A enfermeira plantonista Magaly Leite atende na principal porta de atendimento de moderado a grave de Ouro Preto e alerta a população sobre o que é estar intubado em uma UTI -  (crédito: Prefeitura de Ouro Preto/Divulgação)
A enfermeira plantonista Magaly Leite atende na principal porta de atendimento de moderado a grave de Ouro Preto e alerta a população sobre o que é estar intubado em uma UTI - (crédito: Prefeitura de Ouro Preto/Divulgação)

Após a triste marca de 500 mil vidas perdidas pela covid-19 no Brasil nesse final de semana e 109 mortes confirmadas, segundo boletim epidemiológico desta segunda-feira (21/6), em Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais, a enfermeira plantonista Magaly Leite resolveu gravar um vídeo em que desabafa sobre o que está sentindo.

Ela trabalha na principal porta de entrada de infectados pela doença na cidade, a Unidade de Pronto Atendimento – UPA Dom Orione. “A covid é um desprazer, é um desprazer tentar ter que acalmar um paciente de 30 anos sem comorbidades que vai ser intubado porque não consegue mais respirar sozinho, é um desprazer ver idosos perguntando porque Deus fez isso com eles”, afirma.

No depoimento, Magaly conta sobre o estágio de intubação dos pacientes, a fase que mais preocupa familiares e hospitais porque demanda leitos e medicamentos.

Segundo o boletim epidemiológico desta segunda-feira, 26 pessoas estão internadas na UPA, sendo 20 delas em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Na Santa Casa de Ouro Preto, a ocupação dos leitos de UTI para covid-19 está em 100%. Por isso, a preocupação dos profissionais da saúde é grande.

Magay Leite relata que os paciente sofrem e os profissionais da saúde também por saberem que nem sempre vão conseguir vencer a doença. Com isso, a pandemia que se arrasta há mais de um ano no Brasil também afeta a saúde mental de muitos que lidam diariamente com ela.

“Eu nem tenho como explicar a sensação de começar a reanimar uma pessoa que há dois dias estava bem e simplesmente parou. Eles morrem sozinhos, e o familiares não têm nem a chance de segurar as suas mãos”, comenta, emocionada.

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