Em nota de repúdio, o Conselho Federal de Medicina afirma que os médicos convocados a depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, no Senado, são "submetidos a situações de constrangimento e humilhação". A instituição classificou como "inaceitável e incoerente" o tratamento dado por senadores aos médicos e médicas ouvidos na CPI.
"O CFM e os 530 mil médicos repudiam veementemente os excessos e abusos no trato de parlamentares em relação aos depoentes e convidados, em especial médicos e médicas, e clama ao Senado Federal que os trabalhos sejam conduzidos com sobriedade", escreve o conselho.
De acordo com o documento, médicos procuraram o CFM para "manifestar sua insatisfação com a postura de membros da CPI" e afirmam que o tratamento menospreza a profissão de profissionais que têm auxiliado "milhões de pessoas" a recuperar a saúde após o contágio da covid-19.
O conselho frisa, no entanto, que a nota não significa apoio aos posicionamentos técnicos, éticos e políticos dos depoentes e que "eles responderão por suas ações e omissões". A nota será encaminhada ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).
A nota foi divulgada na quarta-feira (2/6), um dia após a oncologista Nise Yamaguchi prestar depoimento na CPI, na terça-feira (1º/6). Na ocasião, o senador, e também médico, Otto Alencar questionou a médica com veemência sobre o posicionamento de Nise a favor da cloroquina. O parlamentar afirmou que a médica mentiu e apresentou “desonestidade científica”.
Bolsonaro divulga vídeo e apoia CFM nas manifestações contra senadores
Na noite da quarta-feira (2/6), o presidente Jair Bolsonaro divulgou vídeo nas redes sociais no qual o presidente do CFM, Mauro Ribeiro, faz críticas ao tratamento dado à Nise e à pediatra Mayra Pinheiro, ouvidas na CPI. O presidente escreveu no post que “falta coragem moral para a maioria de seus integrantes para apurar desvios de recursos e ouvir autoridades como o presidente do CFM”.
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