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Falta de chefia no PNI dificulta discussões sobre vacinação, diz secretário do RJ

Segundo Daniel Soranz, avanço do debate sobre a necessidade de uma dose de reforço de vacina em idosos é prejudicado pelo fato de a coordenação do Programa Nacional de Imunizações estar vaga desde 7 de julho

Maria Eduarda Cardim
postado em 16/07/2021 19:07 / atualizado em 16/07/2021 19:42
 (crédito:  Ed Alves/CB/D.A Press             )
(crédito: Ed Alves/CB/D.A Press )

Sem uma coordenação desde 7 de julho, quando Francieli Fantinato foi exonerada do cargo a pedido, o Programa Nacional de Imunizações (PNI), responsável por coordenar a campanha de vacinação contra a covid-19, encontra dificuldades para destravar as discussões que surgem na pandemia da covid-19. A constatação é do secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, que, em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (16/7), afirmou encontrar este “problema” no Ministério da Saúde.

“Infelizmente, a gente, nesse momento, tem um problema no Ministério da Saúde porque a coordenadora do PNI acabou de ser demitida, então a gente ainda tem uma dificuldade de avançar nessas discussões”, disse o secretário ao falar sobre a ideia de uma dose de reforço de vacina contra a covid-19 para idosos com 60 anos ou mais.

A intenção de fazer o reforço da vacina no grupo de idosos foi anunciada nesta quinta-feira (15), em uma live do prefeito Eduardo Paes. A ideia, segundo Soranz, ainda é estudada, mas já existe uma previsão para que os idosos recebam uma terceira dose do imunizante entre outubro e dezembro. “Essas são discussões iniciais, que precisam ser aprofundadas. Estamos prevendo aqui, organizando nossa logística, mas a gente vai ter que ver alguns fatores”, disse o secretário.

Entre os fatores citados, está justamente a avaliação de qual será a recomendação do Programa Nacional de Imunizações (PNI) na época (outubro e dezembro). Segundo Soranz, a discussão sobre doses de reforços nos idosos já ocorre no PNI. No entanto, o Ministério da Saúde nunca abordou publicamente a ideia e nem divulgou possíveis datas para a aplicação de uma terceira dose neste grupo.

A antecipação dessa divulgação por parte da Prefeitura do Rio, segundo o secretário de Saúde da cidade, é para “tentar dar previsibilidade para as pessoas” e “forçar algumas discussões que são importantes”. “Essa é uma discussão que precisa começar a ser debatida. [...] Como a gente está em uma pandemia, atrasos nessas discussões e nesse processo podem gerar danos para a população”, ponderou.

Ministro critica

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, entretanto, acredita que decisões tomadas fora do PNI geram “calor” ao invés de gerar “luz”. Desde a última semana, o cardiologista critica estados e municípios que anunciam medidas de vacinação contra a covid-19 fora do que foi combinado no PNI, diferentemente do que foi pactuado na comissão tripartite, que envolve ministério e secretarias estaduais e municipais de Saúde. Por exemplo, a inclusão de adolescentes na campanha de imunização contra a covid-19.

Nesta sexta (16), sem citar diretamente a cidade do Rio de Janeiro, Queiroga criticou o anúncio da intenção de vacinar os idosos com uma dose de reforço. “Não podemos ter municípios criando regras próprias, escolhendo subgrupos diferentes para a vacinação. Agora, um grande município do Brasil já tá anunciando a terceira dose. Como anunciar a terceira dose se a gente não avançou ainda na primeira dose em 100% da população brasileira? Isso gera calor em vez de gerar luz”, disse, durante discurso em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

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