Fundação Palmares

MP do Trabalho pede afastamento de Sérgio Camargo, que nega assédios

Em março desse ano, três diretores da Fundação Palmares pediram demissão de seus cargos por alegarem não haver espaço para diálogo, inviabilizando o desenvolvimento dos trabalhos

Maria Eduarda Cardim
postado em 30/08/2021 16:53 / atualizado em 30/08/2021 16:54

Após o Ministério Público do Trabalho pedir o afastamento do presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, em uma ação que investiga denúncias de assédio moral, perseguição ideológica e discriminação aos servidores da pasta, o presidente se manifestou pelas redes sociais, negou as acusações e respondeu também com ofensas.

As denúncias que compõe a ação que pede o afastamento de Camargo foram divulgadas pelo Fantástico, da Rede Globo, no domingo (29/8) e, desde então, o presidente da Fundação Palmares se manifesta pelas redes sociais. 

Segundo o Fantástico, as denúncias são baseadas em relatos de 16 servidores e ex-funcionários, que expuseram uma rotina de ataques do chefe. Sérgio Camargo negou e disse que "todas as denúncias são fakes" e que partiram de "militantes vitimistas e traíras".

"O MPT não tem autoridade para investigar servidores ou pessoas em cargos comissionados, pois somos regidos pelo estatuto, não pela CLT. As acusações partiram de militantes vitimistas e traíras. Há duas cartas públicas em minha defesa assinadas por todos os servidores da Palmares", disse. 

Desde que assumiu a Fundação Palmares em novembro de 2019, Sérgio Camargo acumula polêmicas e se diz contra o movimento negro, que segundo ele é deletério. 

A investigação do Ministério Público do Trabalho contra o presidente da Fundação Cultural Palmares ocorre desde julho de 2020, quando o MPT recebeu as denúncias. Em março desse ano, três diretores da Fundação Palmares pediram demissão de seus cargos por alegarem não haver espaço para diálogo, inviabilizando o desenvolvimento dos trabalhos.

Na ocasião, Camargo se pronunciou sobre a investigação aberta pelo Ministério Público do Trabalho. "Exonero esquerdistas. Nomeio direitistas. Desaparelhar o órgão é meu dever. Nomear em cargos de confiança é minha prerrogativa", comentou.

Hoje, diante a ação protocolada na 21ª Vara do Trabalho de Brasília, o discurso é o mesmo. "É minha prerrogativa como presidente da instituição exonerar esquerdistas e nomear conservadores. Isso não é assédio, suas antas. É dever moral! Não tenho que trabalhar com esquerdopatas nem com militantes vitimistas", disse pelo Twitter. 

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