Violência

"Se eu pudesse mataria vocês": bolsonarista agride cinegrafista em Aparecida

O agressor trabalha como professor na Escola Estadual Cid Boucault, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, de acordo com o Sindicato de Jornalista do Estado

Vera Batista
Pedro Grigori
postado em 12/10/2021 22:16 / atualizado em 12/10/2021 22:48
"Já faz um bom tempo que nós do jornalismo estamos convivendo com ofensas, ameaças e agressões. Hoje a vítima fui eu", escreveu o cinegrafista. - (crédito: Reprodução/Twitter)

O cinegrafista Leandro Matozo, da Globo News, foi agredido com uma cabeçada por um militante bolsonarista nesta terça-feira (12/10), no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo. O agressor ainda disse ao cinegrafista e a um repórter que se pudesse mataria os dois. Matozo machucou o nariz, sangrou bastante, mas está bem.


O cinegrafista contou sobre o episódio no Twitter. “No final da tarde, nossa equipe decidiu gravar na parte externa da igreja, quando fomos surpreendidos por um apoiador do Presidente Bolsonaro. Ele nos abordou com xingamentos contra a TV e não parou. Em um determinado momento, disse: SE PUDESSE MATARIA VOCÊS", escreveu.


O cinegrafista estava acompanhado pelo repórter da Globo News  Victor Ferreira. Após ouvir a ameaça, o repórter gritou por ajuda para policiais que estavam próximos. Matozo conta que foi nesse momento que o agressor deu uma cabeçada em seu rosto. “Meu nariz sangrou muito na hora”, contou pelo twitter.


Victor Ferreira disse pelas redes sociais que registrou uma ocorrência na Polícia Militar, mas que os policiais não quiseram conduzir o agressor para a delegacia para não “prender a viatura”. “O agressor foi liberado antes mesmo que nós e ainda pegou carona no carro da PM para voltar ao santuário”, escreveu.



De acordo com o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP), o homem que cometeu o ato de agressão se chama Gustavo Milsoni e trabalha como professor na Escola Estadual Cid Boucault, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.


Pelas redes sociais, o sindicato exigiu da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e do governo de João Dória que a agressão “não seja relativizada ou negligenciada para que, desta forma, o agressor responda judicialmente na medida de seus atos”.


“É urgente que se interrompa essa escala de violência contra os trabalhadores da comunicação antes que algo mais grave aconteça. O ato covarde se insere num contexto de intimidação cada vez mais recorrente de profissionais de imprensa que estão nas ruas para cumprir a função social de levar informação às pessoas”, reiterou o Sindicato


Para o SJSP, a agressão é um ato de ataque à liberdade de imprensa. Atinge a ponta mais exposta nesse processo, que é o profissional da comunicação. “Um trabalhador que, no Dia das Crianças, deixou seu filho em casa para trabalhar e é agredido de maneira covarde”, escreveu.


O Correio entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

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