Transmissão é a menor desde abril de 2020

De acordo com o Imperial College, o índice de contágio no país chegou ontem a 0,60. Avanço da vacinação é o principal responsável pela diminuição. Cerca de 149,6 milhões de brasileiros receberam a primeira dose, o equivalente a 70,17% da população

Pedro Grigori
postado em 12/10/2021 23:04
 (crédito: Paulo Pinto/Fotos Publicas - 3/6/21)
(crédito: Paulo Pinto/Fotos Publicas - 3/6/21)

Poucos dias após superar a trágica marca de 600 mil mortos por covid-19, o Brasil parece finalmente estar controlado o contágio do vírus. De acordo com o último levantamento do Imperial College de Londres, a taxa de transmissão da covid-19 no país é a menor desde abril de 2020, quando o instituto começou a monitorar os dados. Ontem, o índice chegou a 0,60, o que indica que 100 pessoas contaminadas transmitem a doença para outras 60; há duas semanas, estava em 1,04.

De acordo com a margem de erro calculada pela universidade britânica, a taxa brasileira atual pode variar de 0,24 a 0,79. Quando está abaixo de 1 a taxa indica que a propagação do vírus está em declínio. O oposto ocorre quando ela está acima de 1, indicando aumento. A Rt é considerada uma das principais referências da evolução da pandemia.

O levantamento estima que o Brasil deve registrar cerca de 1,6 mil mortes nesta semana, podendo variar de 942 a 1.820 — um pouco menos do que foi registrado na semana passada, 1.636. Até o momento, o país acumula 21,5 milhões de casos de covid-19 e 601 mil vidas perdidas para a doença, de acordo com a última atualização do Ministério da Saúde.

O avanço da vacinação é o principal responsável pela diminuição da transmissão. Cerca de 149,6 milhões de brasileiros receberam a primeira dose, o equivalente a 70,17% da população; 99,6 milhões receberam as duas doses ou a dose única, 46,72% da população.

Na última sexta-feira, o Brasil atingiu a marca de 600 mil mortos pela covid-19. Trata-se de um número maior do que as populações de sete capitais do país, entre elas, Florianópolis e Vitória. O avanço da vacinação e a queda do número de infectados indica uma sensação de que o pior da pandemia já foi superado. Mas especialistas reforçam que o patamar de vítimas ainda é alto — cerca de 500 pessoas por dia e que são necessárias doses de reforço e atenção com as sequelas provocadas pelo vírus.

Relatório do Observatório da Covid-19, da Fiocruz, indica que o fim da crise sanitária deve ocorrer nos primeiros meses do ano que vem, embora especialistas divergem sobre o prazo. “O fim da pandemia não representará o fim da 'convivência' com a covid-19, que deverá se manter como doença endêmica e passível de surtos mais localizados”, afirma o texto da instituição.

CoronaVac
Um grupo de especialistas que assessora a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou, esta semana, a aplicação de uma dose de reforço contra a covid-19 em idosos completamente imunizados com a CoronaVac e em pessoas com imunidade comprometida que tomaram qualquer vacina. “Ao implementar esta recomendação, os países devem inicialmente ter como objetivo maximizar a cobertura de 2 doses nessas populações e, posteriormente, administrar a terceira dose, começando nos grupos de idade mais avançada”, diz um comunicado do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas da OMS (Sage, na sigla em inglês).

Segundo os profissionais, é preferível que pessoas com 60 anos ou mais que receberam duas doses da CoronaVac tomem a terceira dose do próprio imunizante. No entanto, os especialistas ponderam que, ao se levar em conta a disponibilidade das vacinas, o uso na dose de reforço de um imunizante diferente do aplicado nas duas primeiras doses pode ser considerado.

O Sage também recomendou a aplicação da terceira dose de qualquer vacina em indivíduos com imunidade comprometida. Esse grupo populacional, segundo a OMS, tem uma resposta imune mais baixa aos imunizantes e, portanto, corre mais riscos ao contrair o coronavírus. Além da CoronaVac, que é produzida no Brasil pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, a recomendação também vale para os imunizantes fabricados pela Sinopharm. (Com agências)


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SP: 80% de vacinação completa


O estado de São Paulo contabiliza 80,26% da sua população adulta, ou seja, acima de 18 anos, com o esquema vacinal completo. Isso equivale a 27.326.348 de doses aplicadas pela segunda vez. Os dados fazem parte do Vacinômetro da Secretaria de Saúde do Estado, atualizados ontem. Quando se trata de adultos com a primeira dose do imunizante, o porcentual sobe para quase a totalidade da população paulista acima de 18 anos, chegando a 99,37% das pessoas nesta faixa etária. Foram ministradas, neste caso, 37 154.445. Foram também aplicadas 1.162.613 de doses únicas e 1.131.010 de adicionais.

Quando se analisa a população total de vacinados em São Paulo, considerando também os com idades abaixo dos 18 anos, os que tomaram as duas doses somam 61,55% e os com pelo menos uma dose, 82,78%. No total, foram aplicadas 66.773.059 de vacinas no estado.

No Rio, a Secretaria de Saúde (SES) do estado distribuiu mais de 20 milhões de doses das vacinas contra a covid-19 aos 92 municípios fluminenses. Assim, 56% da população adulta estão com o esquema vacinal completo (primeira e segunda doses ou dose única) e mais de 90% com a primeira dose. Segundo o secretário de Saúde, Alexandre Chieppe, “essa é a campanha de vacinação de maior sucesso da história do Rio de Janeiro. Faltando pouco menos de um trimestre para acabar o ano, conseguimos superar muitas dificuldades alcançando essa marca”. A Secretaria de Saúde é responsável pela distribuição de doses de imunizantes contra a covid-19 a todo o estado.

Os ofícios contendo as quantidades destinadas a cada município são enviados assim que é realizada a conferência das doses entregues pelo Ministério da Saúde. Como a distribuição das doses para os municípios é realizada entre 24h e 48h após a chegada da remessa, as secretarias municipais são informadas da quantidade durante a logística de entrega das vacinas. Das 20 milhões de doses aplicadas, mais de 11 milhões foram em mulheres e nove milhões nos homens. Desse total, 41% são doses da AstraZeneca, 31% da CoronaVac, 25,7% da Pfizer e 1,8% da Janssen.

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