chacina no rio

Polícia diz que quatro não eram fichados

Correio Braziliense
postado em 24/11/2021 00:01

A Polícia Civil do Rio afirmou, ontem, que quatro dos nove mortos durante operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, no Grande Rio, não tinham anotações ou antecedentes criminais. A ação da tropa de elite da Polícia Militar carioca aconteceu no último domingo. Oito corpos foram retirados de um manguezal por moradores, na manhã de segunda-feira. A nona vítima, Igor da Costa Coutinho, foi baleada no domingo e foi socorrido, mas morreu depois.

A chacina ocorreu depois da morte do sargento da PM Leandro Rumpelsberger da Silva, de 40 anos, que no último sábado morreu depois de uma troca de tiros, numa emboscada, com traficantes que atuam na região. Os oito mortos foram identificados como Carlos Eduardo Curado de Almeida, Ítalo George Barbosa de Souza Gouvêa Rossi, Élio da Silva Araújo, Rafael Menezes Alves, David Wilson Oliveira Antunes, Kauã Brenner Gonçalves Miranda, Jhonata Klando Pacheco e Douglas Vinícius Medeiros de Souza, cujos corpos foram retirados do manguezal.

A Polícia Civil não esclareceu quais eram as cinco vítimas com algum tipo de antecedente criminal, mas uma pesquisa dos nomes junto ao Tribunal de Justiça do Rio e do Pará possibilitou identificar três casos. Carlos Eduardo respondeu processos por tráfico de drogas, associação para o tráfico, receptação e concurso material (quando pratica dois ou mais crimes distintos). Já Ítalo George foi acusado de associação para a produção e tráfico de drogas. Por fim, Jhonata Klando Pacheco respondeu processos por roubo majorado no Pará. Os demais registros não forma encontrados.

O caso é apurado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG). Os investigadores enviaram ofício à PM pedindo os nomes dos agentes que participaram da ação, assim como a apreensão das armas utilizadas durante a operação.

Tortura

Além de aguardar a perícia nas armas, os agentes estão ouvindo depoimentos e buscando novas testemunhas. A equipe da DHNSG também aguarda os resultados dos laudos de necropsia.

Moradores da comunidade do Salgueiro — que não tem nada a ver com a escola de samba, que fica na Tijuca, no Rio de Janeiro — disseram que os oito corpos encontrados no mangue apresentavam sinais de tortura. Segundo pessoas que participaram da remoção dos cadáveres, Kauã Brenner Gonçalves, que tinha 17 anos, teve um dedo da mão cortado.

"Já sabiam que iriam matar. Então por que fazer isso? Por que torturar? Parece que estão matando bicho, matando rato. Meu irmão não fazia mal para ninguém. Fizeram muita maldade com ele. Tem adolescente aí que teve os dedos arrancados. Para que fazer isso?", disse Milena Menezes, irmã de Rafael Menezes Alves, um dos mortos retirados do mange, de 28 anos. Os investigadores, porém, negam que tenha havido tortura.

A suspeita é de que a chacina tenha sido cometida por causa da morte do sargento-PM.

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