Carnaval

Zema cobra responsabilidade de prefeitos mineiros na festa de Momo

Governador diz que, apesar do cenário favorável na pandemia de COVID-19, prefeituras devem orientar e organizar o evento

O governador Romeu Zema (Novo) afirmou ontem em coletiva de imprensa no Hospital Eduardo de Menezes, em Belo Horizonte, que o cenário da pandemia de COVID-19 está favorável para que ocorra o carnaval de 2022. O chefe do Executivo estadual informou que a organização é das prefeituras e que espera o mínimo de cada uma para orientar e organizar o evento de forma responsável. “Se omitir nesse momento seria o menos adequado a se fazer”, afirmou Zema.

Os brasileiros estão em "abstinência" de folia após o carnaval ter sido barrado em 2021 devido à pandemia de COVID-19. Mas tudo indica que entre 26 de fevereiro e 1º de março de 2022 os foliões vão poder matar a saudade e festejar novamente. Segundo o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, o cenário de vacinação previsto para a data é positivo.

“Teremos cerca de 90% de toda a população vacinada com as duas doses e boa parte já vai ter tomado o reforço. Chegamos a um cenário diferente de quase qualquer país no mundo, porque o Brasil é um país que tem grande adesão à vacina. Nós já temos, da população adulta, 94% que tomaram pelo menos a primeira dose, ou seja, todo mundo está buscando a vacina”, afirmou.

“Hoje, a incidência da doença é de 25 casos para 100 mil, na Alemanha é mais de 400 casos para 100 mil. Então, estamos em um momento epidemiológico positivo, vamos ver como estaremos no carnaval em relação a isso”, acrescentou. Baccheretti disse também que os eventos estão acontecendo, então o melhor a se fazer é orientar com responsabilidade e controle.

“Nosso papel, pelo Minas Consciente que foi atualizado, é dar os cuidados necessários. Não adianta o setor público fechar os olhos, as festas estão acontecendo, o carnaval vai ser planejado pelos organizadores locais e nós temos que ajudar a orientar para que não haja risco de ser desorganizado e de forma preventiva como estamos tentando fazer agora. Temos que chegar mais perto para saber sobre isso”, alertou.

O governador corroborou a fala do secretário e afirmou que se omitir neste momento é o menos recomendado. “Todo evento referente a carnaval cabe às prefeituras estruturarem, executar. Mas o estado quer dar total orientação, apoio. O pior que uma prefeitura pode fazer é não interferir em nada, falar: 'Eu não tenho nada a ver com isso'. Quando temos qualquer evento maior, é necessário que cada prefeitura pelo menos oriente, organize, não precise patrocinar, mas se omitir nesse momento seria o menos adequado a se fazer”, ressaltou Zema.

Ele também destacou que o carnaval é um evento importante para a economia de muitos municípios. “Carnaval significa várias coisas, inclusive renda para várias cidades, muitas têm um carnaval forte. Significa um evento cultural, uma questão de estarmos retomando um evento que não aconteceu em 2021 devido a pandemia e o Estado vai fazer tudo que estiver ao alcance, mas a execução final e o detalhamento cabe a cada prefeitura. Esperamos que os prefeitos, que fizeram tão bem até o momento, também façam a sua parte, já que em 90 dias estaremos com este evento.”

Folia sem patrocínio em BH

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), afirmou na última semana em coletiva de imprensa na prefeitura, que não vai patrocinar o carnaval da cidade. “A prefeitura dá, quando você vai passear na Lagoa da Pampulha, a Guarda Municipal, trânsito, cuidado, tudo que tiver de espontâneo é obrigação da prefeitura cuidar da população, ponto final, é isso. Não adianta, que a prefeitura não vai patrocinar carnaval, não vai patrocinar nada", disse na sexta-feira.

Kalil afirmou também que a verba que, em tese, seria utilizada no carnaval será reservada para outros eventos culturais. O prefeito também indicou que o motivo de não organizar o carnaval tem a ver com a pandemia de COVID-19 e o momento festivo anterior, como réveillon.

Infectologista


A decisão do prefeito ganhou o reforço do Comitê de Enfrentamento à COVID de Belo Horizonte, que recomendou que a prefeitura da capital mineira não patrocine o carnaval nem o ano novo, além de desaconselhar a população a participar de eventos com grandes aglomerações. A Nota Técnica foi divulgada na segunda-feira. “O Comitê de Enfrentamento à COVID recomenda que a Prefeitura de Belo Horizonte não patrocine e desaconselhe a população a participar de eventos que possam implicar em grandes aglomerações públicas de pessoas, como, por exemplo, comemorações da passagem do ano e carnaval 2022, por entender que, no momento, tais ações possam vir a ter consequências negativas importantes para a saúde do povo de Belo Horizonte", consta na nota.

A recomendação é baseada em uma série de motivos, entre eles, a diminuição da imunidade produzida pela vacinação a partir de 6 meses da segunda dose e por grande parte da população ainda estar sem a dose de reforço. Outro ponto alertado pelo comitê é o atual cenário europeu, que vive a quarta onda da COVID-19, causada, dentre diversos motivos, pela chegada do inverno, cobertura vacinal insuficiente e a prevalência da variante Delta na Europa, que é mais transmissível.

Apesar da recomendação feita pelo Comitê, os infectologistas afirmaram na nota que “compreendem a importância dos eventos para a cidade, a relevância para cultura de Belo Horizonte e para a sua economia, mas entendem que não é o momento de trazermos às ruas milhões de pessoas em curto espaço de tempo como veio acontecendo nos anos que precederam a pandemia". Por isso, acreditam que é possível pensar em formatos de eventos que estejam apropriados ao momento histórico e aderentes aos protocolos sanitários. (Isabela Bernardes *com NW)

*Estagiária sob supervisão do subeditor Marcílio de Moraes