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"Não consigo mais ir trabalhar sozinha", diz mulher assediada no meio da rua

Vítima contou ao Correio que está aterrorizada pela situação e que, além de mudar a rota, pretende trocar o penteado para não ser reconhecida: "Ontem fui trabalhar acompanhada. Não sei como vou amanhã"

Jéssica Gotlib
postado em 05/12/2021 18:02 / atualizado em 05/12/2021 18:04
Vítima está com tanto medo que mudou a rota para o trabalho e pretende trocar de penteado, para tentar despistar o agressor -  (crédito: PGInfomídia/Reprodução)
Vítima está com tanto medo que mudou a rota para o trabalho e pretende trocar de penteado, para tentar despistar o agressor - (crédito: PGInfomídia/Reprodução)

Uma mulher ia para o trabalho de bicicleta quando foi perseguida por um homem que a atacou com um tapa na bunda. A cena não é incomum, uma muito semelhante ocorreu em setembro de 2021, por exemplo. Mas nem por isso deixa de ser menos chocante. Desta vez, a denúncia partiu do município de Praia Grande, litoral de São Paulo, e foi compartilhada nas redes sociais ao lado de um relato da própria vítima, que prefere não se identificar.

O caso ocorreu por volta das 7h da manhã de sexta-feira (3/12). À página PGInfomídia, a mulher mandou uma mensagem para alerta sobre o assédio: “Hoje, eu (estava) indo trabalhar de manhã, sozinha. Ao passar na Rua Santa Rita de Cássia, no bairro Balneário Maracanã, um indivíduo me seguiu de bicicleta e deu um tapa na minha bunda. Até quando nós mulheres vamos ter que passar por uma situação dessa?”.

Foi esse relato, compartilhado ao lado do vídeo das câmeras de segurança da rua, que fez com que agressão ganhasse repercussão nas redes sociais. Nas imagens, é possível ver claramente quando o agressor se aproxima da vítima e dá um tapa nas nádegas dela. Foi a própria vítima quem conseguiu o registro com moradores da região. Segundo ela, as provas devem servir de apoio à denúncia que fará à Polícia Civil na segunda-feira (6/12).

Estado de choque

A vítima, de 38 anos de idade, contou ao Correio que nunca tinha passado por situação parecida. “Não percebi ele chegando, só senti o tapa. Quando olhei, ele já estava indo embora. Virei para trás e não vi ninguém para pedir ajuda”, relatou. Ela prefere permanecera anônima por medo de represálias do homem que a assediou.

Segundo a mulher, o que pode tê-la ajudado a escapar de “uma coisa pior” é o fato de que os dois ciclistas se aproximavam de uma avenida movimentada, na qual a vítima poderia pedir ajuda a pedestres ou motoristas. “Não consigo mais ir trabalhar sozinha. Ontem, fui trabalhar, mas acompanhada. Amanhã, não sei como vou”, declarou.

Por telefone, ela relatou que tem recebido apoio de familiares. Entretanto, falar do assunto ainda a deixa nervosa. São dois temores principais: o do que poderia ter acontecido além da agressão em si e o que pode acontecer, se o homem conseguir identifica-la.

Importunação sexual é crime

Atos como esse estão previsto no Código Penal Brasileiro e tipificados na Lei 13.718/18. Caracteriza-se importunação sexual “qualquer prática de cunho sexual realizada sem o consentimento da vítima, ou seja, a realização de ato libidinoso na presença de alguém de forma não consensual, com objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro’’.

Segundo nota informativa do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, “a situação mais comum é o assédio sofrido por mulheres em meios de transportes coletivo ou locais públicos. Nesse caso, essa prática configura crime de acordo com legislação penal brasileira vigente, com pena de 1 (um) a 5 (cinco) anos, podendo ser agravada se o agressor tiver relação afetiva com a vítima’’.

 


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