Um jovem de 12 anos foi agredido por um segurança de uma lanchonete da rede Burger King, na Zona Sul de São Paulo. O episódio ocorreu na última terça-feira, mas somente na última quinta-feira foi divulgado. O garoto estava pedindo comida em frente à loja, que fica na Rodovia Anchieta, e atacado a golpes de um cinto para segurar calças depois de ganhar um copo de refrigerante de uma cliente. As costas do menino ficaram marcadas pelas agressões.
O garoto contou que uma mulher que estava fazendo uma refeição na lanchonete parou e deu um copo para ele. Mas, no momento que foi pegar o refrigerante, o segurança foi atrás. "Eu estava lá, no trevo, tentando arrumar um lanche para eu e meus amigos comerem. Entrei e ela me deu um copo. Na hora que eu fui encher (o copo), ele (o segurança) pegou o copo de mim e deixou no lixo. Quando fui correr, ele me deu uma cintada", contou.
Por causa da agressão, começou uma confusão na loja. Um homem começou a gravar o tumulto, enquanto um rapaz que estava com o menino brigava com o segurança — que caiu no chão e tomou vários socos e um chute. A briga só acabou depois que os funcionários do Burger King separaram os dois.
O garoto foi levado para fazer exame de corpo de delito na última quinta-feira e o caso foi registrado como lesão corporal no 26º Departamento Policial do Sacomã e encaminhado para o 95º DP. O segurança pode responder criminalmente pelo crime de tortura. "Submeter alguém ao intenso sofrimento físico e psicológico, como uma forma de castigo, pode ser considerado um ato de tortura", explicou Ariel de Castro Alves, membro do Instituto Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Racismo
A atendente Rayane Carmen da Silva, mãe do jovem, só soube da agressão depois que o vídeo começou a circular nas redes sociais. Ela acredita que a agressão tenha sido motivada por racismo, pois o menino é negro.
"Uma criança de 12 anos. Ele foi agressivo por causa da cor. O segurança é branco e meu filho é preto. Mas isso não se justifica. Por a mão em uma criança de 12 anos não se justifica. Ele tem pai e mãe", disse Rayane.
Por meio de nota, o Burger King assegurou que "repudia qualquer ato de violência" e que "encerrou o contrato com a empresa de serviço terceirizado responsável pela segurança". Além disso, disse que "segue apurando o caso para tomar as demais medidas cabíveis".
Antes da agressão ao menino, outro episódio motivado por racismo chocou o país: a morte do jovem congolês Moïse Kabagambe, de 24 anos, em 24 de janeiro. Ele foi assassinado a golpes de porrete e de taco de beisebol por cinco homens, no quiosque Tropicália, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Os agressores vão responder por homicídio duplamente qualificado.
