crise na educação

Na PF, Ribeiro nega favorecimento a prefeituras

Correio Braziliense
postado em 01/04/2022 00:01
 (crédito: Reprodução/Redes sociais)
(crédito: Reprodução/Redes sociais)

Depois de pedir exoneração do cargo por causa do escândalo do gabinete paralelo de pastores no Ministério da Educação (MEC), o ex-ministro Milton Ribeiro foi ouvido pela primeira vez, ontem, no inquérito que apura as suspeitas de corrupção na pasta. Em depoimento na sede da Polícia Federal, em Brasília, ele confirmou que o presidente Jair Bolsonaro (PL) lhe pediu para receber os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, acusados por prefeitos de cobrarem propina para intermediar a liberação de verbas do MEC. Mas negou ter favorecido prefeituras indicadas pelos religiosos na distribuição de recursos.

Questionado pelo delegado, o ex-ministro deu menor importância para o interesse de Bolsonaro na reunião. Disse que não recebeu qualquer demanda ou questionamento do presidente a respeito do assunto tratado no encontro ou de eventuais pedidos dos pastores. Ribeiro negou, também, ter conhecimento de qualquer irregularidade na negociação de verbas do MEC.

O inquérito contra o ex-ministro foi aberto a pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, que viu indícios dos crimes de corrupção passiva, tráfico de influência, prevaricação e advocacia administrativa. Aras ainda precisa dizer se Bolsonaro também será investigado.

Ausência

A Comissão de Educação do Senado aprovou, também ontem, a convocação do ministro interino da Educação, Victor Godoy, para prestar esclarecimentos sobre as suspeitas de corrupção. O requerimento foi aprovado na mesma sessão em que Ribeiro deveria dar explicações aos parlamentares — mas ele não atendeu ao convite.

A ausência do ex-ministro foi informada na noite de quarta-feira pela assessoria parlamentar do MEC à secretaria da comissão, o que causou críticas do colegiado. Durante a sessão, Ribeiro foi acusado de fugir das explicações.

"Acho que a maneira cortês, urbana, com que ele sempre foi tratado nesta comissão — não a esta presidência, mas à comissão — merecia dele pelo menos uma distinção, um telefonema, um e-mail justificando a sua ausência. Não ocorreu nada disso", disse o senador Marcelo Castro (MDB-PI), presidente da Comissão de Educação.

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