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Médicos acusam pressão de planos

Pesquisa da AMB aponta que 53% dos profissionais sofreram tentativas ou interferências para alterar tratamentos prescritos aos pacientes. Lista de constrangimentos chega até às altas antecipadas

GABRIELA BERNARDES* GABRIELA CHABALGOITY*
postado em 01/04/2022 00:01
 (crédito: Divulgação/Governo do Paraná)
(crédito: Divulgação/Governo do Paraná)

Pelo menos metade dos médicos ouvidos pela Associação Médica Brasileira (AMB) afirmou que sofreu alguma pressão dos planos de saúde para prejudicar os pacientes. Os dados de uma pesquisa realizada pela entidade, divulgada ontem, mostram que 53% dos profissionais sofreram tentativas ou interferências para alterar os tratamentos que prescreveram.

Ainda de acordo com a sondagem, tal situação ocorre "às vezes" com 40,9% dos médicos e "com frequência" para 12,2%. Além disso, os dados mostram que 51,8% dos médicos encontraram dificuldades para internar pacientes, sendo que 6,7% disseram que tal situação acontece com frequência. Mais da metade dos profissionais também afirmou sofrer ou já ter sofrido pressão para antecipar a alta de pacientes — 13,6% disseram que isso é frequente.

Segundo Marun David Cury, diretor de defesa profissional da Associação Paulista de Medicina (APM) e consultor da AMB, esse assédio "não é de hoje. As operadoras de planos de saúde vêm cerceando o trabalho do médico há muito tempo e de várias maneiras: não autorizando procedimentos, questionando o médico o porquê de ele está pedindo aquele procedimento, entre outros. Isso acaba prejudicando diretamente o usuário".

Cury explica que, muitas vezes, os médicos estão condenados a se sujeitar às exigências dos planos, já que o mercado particular é muito restrito. "Hoje, 1% tem consultório particular e vive só disso. A grande maioria tem consultório, mas atende seguros de saúde. Isso se deve porque tem mais de 50 milhões de usuários de plano de saúde no Brasil", salientou.

O estudo foi realizado pela AMB em conjunto com a Associação Paulista de Medicina (APM) com 3.043 profissionais. Dos profissionais ouvidos, 59,2% eram homens e 40,8% mulheres. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Justificativas

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) esclareceu que "sempre incentivou as melhores condutas por todos os atores da saúde suplementar". Já a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) também destacou que defende a autonomia dos médicos.

"Essa autonomia, no entanto, não afasta a importância do desenvolvimento e aprimoramento das práticas médicas e dos protocolos clínicos, que servem como referência tanto para os profissionais de saúde quanto para os pacientes", disse.

Também em nota, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) defendeu que as pontuações da pesquisa da ABM "não condizem com as condutas seguidas por suas associadas, que hoje atendem a cerca de 30% dos beneficiários de planos médico-hospitalares do mercado. As associadas à FenaSaúde têm como conduta cumprir rigorosamente todas as leis, normas e regulamentações que lhe são impostas pelos órgãos competentes".

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