O desafio de não perder uma só dose

Victor correia
postado em 05/04/2022 00:01

São Paulo — Por exigência da Pfizer, desde o começo do ano as vacinas contra a covid-19 requerem armazenamento especial, com temperaturas entre -60 e -90°C até chegarem nos locais onde serão aplicadas. Isso significa que a logística para acondicionamento e distribuição teve de ser repensada desde o início até o momento em que o Ministério da Saúde faz a distribuição das doses.

Quem assumiu a responsabilidade por esse armazenamento em baixíssimas temperaturas foi a empresa de logística IBL. Porém, quando assumiu a tarefa, em dezembro do ano passado, não havia no Brasil nenhuma empresa capacitada para atender tal exigência.

Segundo o diretor de Licitações da IBL, Celso Torrecilha Martins, o maior desafio foi justamente encontrar e instalar os ultra-freezers e outros equipamentos necessários para que os imunizantes ficassem guardados, até a distribuição, sem o risco de estragarem.

A câmara fria na qual as doses são mantidas mantém-se em uma temperatura entre 2°C e 4°C. Mas, dentro, estão instalados 45 ultrafreezers utilizados para armazenar as vacinas da Pfizer — mais 12 devem ser instalados em breve. Tais equipamentos são capazes de atingir temperaturas de até -90°C.

As vacinas ficam armazenadas em Guarulhos até que o ministério faça o pedido de transporte para os estados e para o Distrito Federal. Nesse momento, fica definido exatamente o número de doses a serem enviadas.

As caixas de transporte comportam 6 mil doses pediátricas ou 8.850 para adultos. São organizadas em camadas, revestidas por um papelão impermeável e isoladas com uma grossa camada de isopor, especialmente fabricado para aguentar as baixíssimas temperaturas sem apresentar rachaduras.

Blocos de um composto especial de gelo seco são colocados nos vãos da caixa e ao redor das vacinas para contribuir com o isolamento. Além disso, a embalagem original das doses são colocadas no centro do envólucro e também cobertas por gelo seco. Assim, conseguem reter, por até 72 horas, a temperatura entre -60°C a -90°C.

Cada caixa é monitorada por um datalogger — equipamento destinado a acompanhar todo o processo de distribuição. "Conseguimos acompanhar desde o momento que o volume é fechado e por onde passou. A temperatura também é monitorada em tempo real. Com os dataloggers, se consegue saber o momento exato em que as caixas foram abertas devido à incidência de luminosidade", explicou Eduardo Viana, gestor da IBL Farma, braço responsável pela logística de medicamentos e insumos médicos.

Isso significa que a equipe de monitoramento sabe exatamente se uma caixa foi aberta antes da hora, se a temperatura passou do limite de segurança ou se houve algum extravio.

A IBL, porém, não dispensa tamanho cuidado apenas para as vacinas da Pfizer contra a covid-19. É reponsável, também, pelo acondicionamento da merenda das escolas municipais e estaduais de São Paulo.

O repórter viajou a convite da IBL

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