Desigualdade

'Ganhei mais com publicidade do que 5 anos como professor': salário do magistério no Brasil é pior que em 40 países

Ex-BBB e ex-professor, Arthur Picoli diz que ainda tem vontade de dar aulas, mas 'sabendo da realidade da educação no Brasil, fica inviável abrir mão da publicidade'

BBC
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postado em 06/04/2022 08:53 / atualizado em 06/04/2022 08:54
 (crédito: Reprodução/Instagram)
(crédito: Reprodução/Instagram)

O contrato para aparecer em propagandas de uma marca de cerveja rendeu a Arthur Picoli, ex-participante do reality show Big Brother Brasil, mais do que o equivalente a cinco anos de salário como professor. O fato foi comentado por ele durante uma entrevista para o portal G1.

Formado em educação física, Arthur deu aulas em uma escola municipal enquanto cursava a faculdade e depois se tornou instrutor de crossfit na cidade do Rio de Janeiro.

Na entrevista, o ex-professor contou que ainda tem vontade de dar aulas, mas "sabendo da realidade da educação no Brasil, fica inviável abrir mão da publicidade".

Hoje, o jovem de 27 anos faz campanhas para marcas de diferentes segmentos e produz conteúdo para os canais do Flamengo.

A discrepância de valores comentada por Arthur ilustra como é a remuneração dos professores no Brasil. De acordo com dados do relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a média do salário inicial dos professores dos anos finais do ensino fundamental é a menor entre 40 países.

A pesquisa, denominada Education at a Glance, realizada em 2021, mostra que os educadores brasileiros começam recebendo, em média, cerca de U$ 13,9 mil anuais, o equivalente a aproximadamente R$ 65,3 mil na cotação atual, uma média de R$ 5,4 mil por mês.

Lousa e carteiras em sala de aula vazia
Getty Images
Educadores brasileiros começam recebendo, em média, cerca de US$ 13,9 mil anuais

Já a média entre os 38 países membros e parceiros da OCDE analisados é de quase R$ 14 mil por mês. Entre eles, os salários iniciais mais elevados, em Luxemburgo e na Alemanha, passam de R$ 27 mil por mês.

Mesmo com o acréscimo de bônus e pagamentos adicionais, como o 13º salário, a remuneração dos professores brasileiros ainda é 46% menor do que a média dos países membros da OCDE.

Próximos ao Brasil, também com salários considerados baixos, estão Costa Rica, Hungria e Letônia.

O relatório ainda aponta a desigualdade de gênero nas contratações. "Embora as mulheres no Brasil sejam mais propensas a atingir a educação superior do que os homens, elas têm menos probabilidade de serem contratadas."

Na conclusão da análise, a OCDE aponta que "o tamanho das turmas diminuiu nos últimos anos no Brasil, mas os salários dos professores continuam abaixo da média", mostrando como o ambiente escolar em geral pode sofrer com a falta de estímulo para os educadores brasileiros.


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