Sociedade

Bilhete ajuda Marinha a achar náufragos em ilha deserta no PA

ISABEL DOURADO
postado em 15/04/2022 00:01
 (crédito: Marinha/Divulgação)
(crédito: Marinha/Divulgação)

Um bilhete encontrado em uma garrafa pet amarrada a uma boia levou a Marinha do Brasil ao paradeiro dos seis tripulantes da embarcação "Bom Jesus". Eles chegaram a ser dados como desaparecidos, já que não havia contato com os familiares desde 27 de março. O grupo foi resgatado na quarta-feira, na Ilha das Flechas, que fica a aproximadamente 150 quilômetros de Belém, no Pará, em "bom estado geral de saúde". Os socorristas foram acionados após pescadores encontrarem a garrafa com bilhete.

"Socorro, socorro! Precisamos de ajuda, nosso barco pegou fogo, estamos há 13 dias na Ilha das Flexas (sic) sem comida. Avise nossas famílias", diz o bilhete, escrito em letras garrafais, em que os desaparecidos também listaram o número de telefone dos familiares.

Em conjunto com órgãos estaduais a Marinha conseguiu montar uma operação de busca e resgate. Após serem resgatados, os tripulantes foram levados para Belém e passaram por um primeiro atendimento médico no hospital do 4º Distrito Naval. Em seguida foram para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Sacramenta.

Conforme a Marinha, a embarcação partiu, no dia 24 de março, de Santarém com destino ao município de Chaves, quando foram surpreendidos por um temporal. Eles procuravam alguma praia para aguardar melhora no tempo quando perceberam um incêndio que se alastrava na cozinha, que causou o naufrágio.

Os seis náufragos ficaram 17 dias na ilha. Durante o período, dividiram alimentos que estavam no barco e usaram água da chuva. Dois dos náufragos, então, tiveram a ideia de colocar um bilhete dentro de uma garrafa. Amarraram o recipiente em uma boia e jogaram o conjunto no mar. Pescadores encontraram a mensagem e alertaram as autoridades locais.

A Marinha informou ter colaborado com órgãos estaduais no resgate. Os desaparecidos foram levados para Belém em um helicóptero Super Cougar. Na aeronave, foram atendidos pelos militares, que prestaram os primeiros socorros. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma), a equipe médica que atendeu os tripulantes em Belém informou que eles estavam bastante desidratados.

Entenda o caso

Os tripulantes do "Bom Jesus" partiram de Santarém para levar uma carga ao município de Chaves, no Marajó. O último contato dos tripulantes aconteceu em 26 de março, segundo informações passadas por familiares à Polícia Civil. Dois vídeos feitos pelo policial militar que fazia a escolta da carga circularam esta semana nas redes sociais. Em um vídeo compartilhado com a família, Valdeney Dolzanes Reis mostra a embarcação encalhada. Ele conta, na gravação, que os tripulantes aguardavam a maré subir para poderem dar sequência à viagem.

Ao chegar em Chaves, eles teriam sido informados que a pessoa que receberia a carga desistiu de fazer a retirada e, para não perder a viagem, eles levariam a encomenda até Nazaré, também na região do Marajó. Desde então os familiares não tiveram mais contato com os tripulantes.

Além de Reis, estavam desaparecidos: Antônio Oliveira dos Santos, maquinista mecânico; Leilane Carla Ferreira Guimarães, cozinheira; Cristiano de Azevedo Figueira, marinheiro; Joelson da Silva Costa, responsável pela carga; e "Negão", maquinista.

A Marinha vai instaurar um inquérito para apurar causas, circunstâncias e responsabilidades do acidente.

*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro

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