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Vacinação cai e traz de volta a rubéola, caxumba, catapora e sarampo

Com o controle gradativo da covid, começam a vir à tona as consequências da redução da cobertura de imunização para rubéola, caxumba, catapora e sarampo. Em 2021, só cerca de 49% do público-alvo para a 2ª dose da tríplice viral foi atingido

Maria Eduarda Cardim
ISABEL DOURADO*
postado em 16/04/2022 06:00
 (crédito: ED ALVES/CB/D.A.Press)
(crédito: ED ALVES/CB/D.A.Press)

As consequências da queda da cobertura de diversas vacinas no Brasil, verificada desde 2017, começam a ser percebidas mais claramente com o arrefecimento da pandemia de covid-19. O retorno de doenças já erradicadas no país, como o sarampo, é um desses danos. Este ano, até 26 de fevereiro, nove casos da doença foram confirmados.

Segundo dados de um estudo técnico produzido pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), nenhuma das regiões do Brasil conseguiu atingir patamares mínimos entre os imunizantes disponíveis contra sarampo, caxumba, rubéola e catapora (veja infográfico acima). Jonas Brant, professor da Universidade de Brasília (UnB) e epidemiologista, explica que, no caso do sarampo, devido à intensa transmissibilidade, é necessário que haja uma alta taxa de cobertura vacinal para impedi-lo de se propagar.

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pri-1604-vacinacao (foto: pri-1604-vacinacao)

"A gente viu agora, com a covid-19, um cenário com a variante ômicron, que trouxe ao debate a importância da taxa de transmissibilidade de uma doença. Em uma população não imunizada, cerca de 12 pessoas se infectam a partir de um caso", salientou.

A meta de imunização pela vacina tríplice viral — que protege contra sarampo, caxumba e rubéola — prevista pelo Ministério da Saúde é de 95%. Só que, conforme dados coletados pelo DataSUS e organizados pela CNM, essa cobertura caiu nos últimos anos. Em 2019, a segunda dose da tríplice viral alcançou 81,55% do público alvo, mas, no ano passado, apenas 49,62% desta população foi atingida.

Fatores

Para Brant, o movimento antivacina no Brasil ainda é recente para ser apontado como um fator de peso na queda das coberturas. "A gente vê uma queda importante nos últimos anos, mas que não se atribui diretamente ao movimento antivacina, e sim à necessidade de reposicionamento do sistema de saúde frente às mudanças pelas quais a sociedade passou", observou.

Outro problema é o desconhecimento de diversas doenças, inclusive por profissionais de saúde, que foram extintas graças às campanhas de vacinação no Brasil e no mundo. "Temos uma doença que foi eliminada das Américas e que, desde o início dos anos 2000, o número de casos é muito baixo. Com isso, a formação da última geração de médicos do país não a conheceu. Nosso grande desafio é aumentar a sensibilidade desses profissionais para que consigam diagnosticar e suspeitar os casos de sarampo", afirmou Brant.

O epidemiologista salienta, ainda, que em um contexto de desnutrição, o sarampo favorece o aumento da taxa de mortalidade infantil. "Por isso, a doença segue em algumas regiões do mundo como uma importante causa de óbito de crianças", afirmou.

Este ano, até o momento nenhuma morte por sarampo foi notificada. Mas, em 2021, foram registrados dois óbitos causados pela doença, no Amapá, de bebês menores de um ano de idade.

*Estagiária sob a supervisão de Fabio Grecchi

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