Mercado de trabalho

Correio Braziliense
postado em 25/04/2022 00:01

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) registra aumento considerável do número de pessoas contra empresas por causa da gordofobia. Há 414 processos tramitando na Corte, dos quais 328 deram entrada nos últimos dois anos.

Apesar de o Brasil não ter uma lei específica para punir quem pratica gordofobia, fica claro na Constituição brasileira que ninguém pode sofrer discriminação por nenhuma característica ou questão pessoal. O trabalhador que sofre qualquer tipo de preconceito no ambiente corporativo pode ter direito à indenização por dano ou assédio moral.

O caso de Valeska, que foi constrangida quando usava o transporte público para ir ao trabalho, levou a assistente de RH a questionar o treinamento recebido pelos profissionais. Valeska sugere que os motoristas e cobradores participem de cursos para fortalecer o caráter humano. "Seria muito bom se eles tivessem um treinamento sobre direitos e deveres, leis e diretrizes e também uma aula de humanidade", aconselhou a assistente.

Rayane Souza, ativista contra a gordofobia, e a advogada Mariana Vieira se juntaram com o intuito de combater a gordofobia e desenvolveram o projeto Gorda na Lei. Segundo a ativista, as pessoas gordas sofrem diversos empecilhos e esbarram em barreiras não só sociais como também estruturais. No mercado de trabalho, Rayane destaca que é preciso considerar dois pontos que dificultam o combate do preconceito.

Ela ressalta que pessoas gordas têm uma dificuldade muito grande de conseguirem empregos. "O corpo gordo, por muitas vezes, é associado à preguiça, e estes estereótipos só reforçam o preconceito diminuindo, assim, a chance de contratação." Cientes da dificuldade de contratação, essas pessoas têm medo de retaliações ou demissões, caso combatam a gordofobia, e acabam se calando.

"É urgente frisar que a gordofobia no ambiente de trabalho enseja ações trabalhistas. Temos visto que a cada dia o judiciário, quando demandado, tem entendido gordofobia como assédio moral e condenado esta conduta."

Outro aspecto citado pela ativista é a importância de que as empresas tenham uma ouvidoria, preparada não só para acolher como caminhar junto ao funcionário e um código de conduta proibindo expressamente a prática de preconceitos.

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