Surto em creches

Creche suspende aulas após identificar surto da síndrome mão-pé-boca

Secretaria de Saúde de Ouro Preto informa que são 46 casos na cidade, sendo que 22 são de uma mesma creche, que ficará fechada até quarta-feira

Uma creche localizada em Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais, está com as aulas suspensas até esta quarta-feira (20/4), após 22 crianças menores de cinco anos terem sido diagnosticadas com a síndrome mão-pé-boca. De acordo com a Secretaria de Saúde de Ouro Preto, a orientação de paralisar as atividades na creche é para impedir a circulação do vírus. Outros 24 casos da doença foram notificados em outras localidades da cidade.

A síndrome mão-pé-boca é uma enfermidade contagiosa causada principalmente pelo vírus Coxsackie A16, da família dos enterovírus que habitam normalmente o sistema digestivo e podem provocar estomatites - espécie de afta que afeta a mucosa da boca.

Segundo a secretaria, a doença acomete, principalmente, crianças de até 6 anos, mas adultos também podem contrair o vírus. Ela é comum nessa faixa etária, porque é justamente quando os pequenos estão na fase de levar mãos e objetos à boca, facilitando a cadeia de transmissão.

Os sintomas são febre alta antes das lesões na pele, aftas na região da boca, feridas como bolhas nos pés e mãos, podendo surgir nas regiões das nádegas, além de vômitos e diarreia.

“Os pais precisam manter os filhos que apresentam os sintomas da doença isolados, porque o contágio ocorre com muita facilidade. A transmissão também pode ser por meio de tosse e espirro”, explica o secretário de Saúde de Ouro Preto, Leandro Moreira.

Ainda segundo o secretário, a ação de interditar as atividades na creche está de acordo com o tempo de incubação da doença – que é de três a cinco dias - e pode impedir a aceleração dos casos na cidade.

O tempo de incubação contribui para a alta transmissão e por isso evidencia a necessidade de evitar o contato com outros indivíduos. “Como não há vacina contra a síndrome mão-pé-boca, é fundamental adotar medidas de higiene pessoal e do ambiente além do isolamento social dos doentes”.

De acordo com pediatra da Santa Casa de Ouro Preto e professor do Departamento de Medicina da UFOP, Tomás Viana de Souza, é muito comum a criança colocar a mão na boca e sem querer encostar no rosto de um colega e ele se infectar facilmente.

Mesmo com a facilidade de contágio, o pediatra afirma que o tratamento é simples e feito com um antialérgico porque as lesões coçam, também são prescritos remédios para dor e febre. “É importante as crianças se alimentarem com alimentos mais pastosos e líquidos e o tempo de duração é de três a dez dias”.

Síndrome em Minas Gerais

A Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informa que monitora os surtos de mão-pé-boca desde 2018. Até a data desta terça-feira (19/4), foram notificados 688 surtos do agravo.

Dados mais recentes da Secretaria de Saúde de Minas Gerais (SES) de 12 de abril afirmam que o surto da virose acomete outras regiões do estado. No ano de 2022 foram registradas, até o momento, 78 notificações.

A Secretaria de Saúde de Minas Gerais recebeu notificações das Superintendências Regionais de Saúde (SRS) de várias regiões do estado. A SRS de Teófilo Otoni apresentou com 17 casos; na SRS Belo Horizonte, 14 casos; na SRS de Ubá, com 11 casos confirmados; na SRS Diamantina, com quatro notificações; na SRS de Sete Lagoas, dois casos confirmados; na SRS de Divinópolis, com duas notificações.

Nas Superintendências Regionais de Saúde de Manhuaçu/Manhumirim, Montes Claros, Itabira, Pouso Alegre e Varginha apenas um caso foi confirmado até o dia 12 de abril.

De acordo com a SES, até o momento não foi registrada nenhuma notificação de surto de síndrome mão-pé-boca no município de Ouro Preto, que está inserido na área de atuação da Superintendência Regional de Saúde Belo Horizonte. Se somado aos números de Ouro Preto, o estado tem 124 casos neste ano.

Em 2019, durante todo o ano foram registrados 21 casos da doença em todas as cidades que fazem parte da Superintedência Regional de Belo Horizonte. Comparando com 2022, a cidade histórica sozinha ultrapassou os números de 2019 e já está próxima de alcançar os de 2021, que registrou 78 casos na regional.

 

Divulgação/SESMG - Os dados da doença começaram a ser monitorados em 2018

 

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