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Ianomâmis: PF não vê indícios de crimes

Corporação colheu depoimento em comunidade que teria sofrido violência e concluiu que há um "conflito de narrativas"

Correio Braziliense
postado em 07/05/2022 00:01
 (crédito:  Reprodução/Twitter)
(crédito: Reprodução/Twitter)

A Polícia Federal (PF) reafirmou, ontem, que até o momento não encontrou indícios de violência contra indígenas da comunidade de Aracaçá, na Terra Ianomâmi, em Roraima. A investigação ainda não foi concluída e o grupo de 24 pessoas que era dado como desaparecido foi encontrado.

O inquérito foi aberto depois de o líder indígena Júnior Hekurari, presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Yek'wana (Condisi YY), denunciar o estupro e o assassinato de uma menina de 12 anos por garimpeiros ilegais. As primeiras informações também acusavam os invasores de afogarem outra criança, de três anos, e estuprarem a mãe dela.

Segundo a PF, "a natureza da denúncia não condiz com os fatos concretos e reais". Em entrevista coletiva, ontem, o delegado federal Daniel Ramos — responsável pela investigação — disse que ouviu todos os indígenas da comunidade Aracaçá e que os depoimentos apontam um "conflito de narrativas"

"As informações se originaram de um vídeo institucional de uma ONG. Foi assistido por um indígena, que repassou as informações a outro. Esse segundo indígena inferiu, a partir dos elementos que tinha, que membros de sua comunidade teriam sido vítimas da violência apresentada no vídeo", concluiu a PF. Os investigadores ainda aguardam o laudo das cinzas coletadas em uma cabana incendiada para saber se há material biológico. O inquérito deve ser concluído em 30 dias.

A PF afirmou, ainda, que não há indígenas desaparecidos — o grupo estava em uma parte da floresta distante de Aracaçá, onde vivia. "A investigação apontou que, ao menos, nove ianomâmis moram no local, sendo que seis foram contatados presencialmente no primeiro dia das diligências no local e outros três — uma mulher e dois netos — estão em Boa Vista para tratamento de saúde da mulher. Por fim, outros indígenas que residiam no local teriam se mudado para outra comunidade, conforme relatado pela própria liderança indígena que encaminhou a denúncia dos crimes", diz a corporação.

Uma nova frente foi aberta na investigação depois que representantes da Polícia Federal, Ministério Público Federal, Funai, Sesai, militares e o próprio Júnior Hekurari estiveram na comunidade de Aracaçá. O local foi encontrado vazio e em chamas e o grupo que ali vivia tinha sumido. O território ianomâmi é uma das mais impactadas pelo garimpo ilegal.

Em nota, a Hutukara Associação Yanomami pediu uma "apuração mais ampla e aprofundada do histórico de violências vividas pelos indígenas em Aracaçá por consequência do garimpo ilegal". A entidade salienta que os indígenas ainda não reuniram informações suficientes sobre o crime denunciado e que interrogou outros indígenas que vivem perto da Aracaçá, que confirmam as violações. (Colaborou Cristiane Noberto)

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