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Delegada guardava em casa R$ 1,8 milhão

Policial foi presa em operação, no Rio de Janeiro, contra grupo criminoso que controla o jogo ilegal e foi denunciada por liberação de máquinas caça-níqueis. Dinheiro em espécie estava em um closet, dentro de sacos de marcas de luxo e malas

MARIA EDUARDA ANGELI* RAPHAEL PATI*
postado em 11/05/2022 00:01
 (crédito: Instagram-Reprodução/Reprodução)
(crédito: Instagram-Reprodução/Reprodução)

Dois delegados da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, Adriana Belém e Marcos Cipriano, foram presos, ontem, na Operação Calígula, deflagrada pelo Ministério Público (MP-RJ) e que mirou uma quadrilha que explorava jogos ilegais. Foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão por crimes de organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Na casa da delegada, em um condomínio de luxo da Barra da Tijuca — zona oeste da capital fluminense —, foi encontrado R$ 1,8 milhão em espécie, escondidos dentro de um closet e em sacos de marcas de grife e malas. Ela já foi titular da 16ª DP, no bairro onde mora, e deixou o posto em 2020 após o chefe do Setor de Investigações da unidade, que era seu subordinado, ser preso. Na operação, foi denunciada por supostos recebimentos de propina para a liberação de máquinas caça-niqueis.

Adriana é figura conhecida nas redes sociais. Ostenta alto padrão de vida e costuma publicar fotos em festas badaladas e ao lado de celebridades. Postou várias com o ex-jogador de futebol do Flamengo e da seleção brasileira Adriano Imperador. Além dele, os também ex-jogadores Carlos Alberto e Edmundo, os cantores Xande de Pilares e Dudu Nobre e o surfista e ex-BBB Pedro Scooby são alguns dos seus supostos amigos.

A delegada não ocupa, atualmente, nenhum cargo na Polícia Civil. Mas, no mês passado, foi nomeada para um cargo na Secretaria Municipal de Esportes e Lazer do Rio — da qual foi exonerada ontem. Em 2020, Adriana se aventurou na política: candidatou-se a vereadora pelo Partido Social Cristão (PSC) e recebeu cerca de 3,5 mil votos.

Quadrilha

A Operação Calígula foi desfechada para desmembrar a estrutura criminosa encabeçada pelo contraventor Rogério Andrade e seu filho, Gustavo — herdeiros dos negócios da família do banqueiro de bicho Castor de Andrade. A quadrilha explora jogos de azar em diversos estados — incluindo bingos e o jogo do bicho. Para não ser incomodada, corromperia agentes públicos, sobretudo dos órgãos de Segurança Pública.

O grupo também é conhecido pela violência contra concorrentes e desafetos. Segundo o MP-RJ, Rogério e Gustavo estariam por trás de vários homicídios. Além disso, a quadrilha poderia ter algum envolvimento com o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Isso porque o policial aposentado Ronnie Lessa, um dos suspeitos dos assassinatos, foi um dos alvos da operação de ontem.

Lessa, ex-segurança de Rogério Andrade, seriam velhos parceiros de negócios. Em 2018, abriram uma casa de apostas ilegais na Barra, fechada pela Polícia Militar no dia da inauguração. O negócio, porém, foi reaberto logo depois, num esquema de corrupção que envolveu vários policiais.

Além de Adriana e do delegado Marcos Cipriano, foram presos o bombeiro militar Maxwell Simões Corrêa, o policial civil inativo Amaury Lopes Junior e outros oito acusados: Renato Pessanha Pires, Ilton Antonio Esteves, Alexandre Cysne Esteves, Sidnei Passos Esteves, Jefferson Monteiro da Silva, Michelle Cysne Esteves, Leandro Cysne Esteves e Rômulo Colli Fernandes.

A operação apreendeu 20 celulares, seis notebooks, um HD, um pendrive, chips, aparelhos para a contagem de cédulas, máquinas de cartão, 107 máquinas caça-níqueis, cópias de processos, componentes eletrônicos e diversos documentos. Além do dinheiro encontrado na casa de Adriana, foram recuperados R$ 48.251,20, US$ 2,2 mil, 4.420 pesos argentinos, 70 pesos uruguaios e R$ 3,8 mil em folhas de cheque.

*Estagiários sob a supervisão de Fabio Grecchi

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