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4ª onda de covid: como se proteger diante de aumento de casos no Brasil

O país está atualmente com uma média móvel de 31 mil novos casos por dia. Há pouco mais de um mês, no final de abril, essa taxa estava em 12 mil

Os casos de covid-19 voltaram a subir no Brasil. De acordo com as informações do Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass), o país está atualmente com uma média móvel de 31 mil novos casos por dia. Há pouco mais de um mês, no final de abril, essa taxa estava em 12 mil.

O coronavírus também parece estar por trás da maioria das internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nos hospitais brasileiros: segundo o Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), a covid-19 já é motivo de 59,6% das hospitalizações por infecções nas vias aéreas registradas nas últimas semanas.

Entre os motivos que ajudam a explicar essa nova piora, destacam-se o abandono de praticamente todas as medidas preventivas, como o uso de máscaras em locais fechados, a chegada de tempos mais frios, a cobertura vacinal insuficiente e uma possível queda na imunidade após muitos meses da aplicação das doses.

Mas será que é possível se proteger e minimizar os danos individuais e coletivos nessa nova onda da pandemia? Existem pelo menos cinco medidas que diminuem o risco de infecção, de desenvolver as formas graves da doença ou ao menos evitar a transmissão do vírus para outros. Elas incluem vacinação em dia e uso de máscaras em determinadas situações, entre outras. Confira:

1. Vacinação em dia

A vacina contra a covid-19 não impede a infecção pelo coronavírus, ainda mais com a circulação das novas variantes, como a ômicron e suas derivadas. Mas é consenso entre os especialistas da área que as doses do imunizante são primordiais para diminuir a gravidade do quadro.

Ou seja: estar com o esquema vacinal em dia pode até não evitar que você pegue o vírus, mas na maioria das vezes torna a infecção mais branda, sem necessidade de partir para uma internação ou o uso de remédios anti-inflamatórios e máquinas para a oxigenação do organismo.

Os dados de vida real mostram como a vacinação foi essencial para diminuir a taxa de hospitalizações e mortes desde o início da pandemia: a média móvel diária de óbitos no país chegou a 3 mil em abril de 2021. Com o avançar da campanha de imunização, esse número foi se reduzindo pouco a pouco — atualmente, essa taxa está em 109, um valor 27 vezes menor.

A quantidade de doses preconizadas varia de acordo com cada faixa etária ou condição de saúde. Essas recomendações, aliás, são atualizadas constantemente pelas autoridades em saúde, conforme surgem novas evidências científicas sobre a melhor maneira de manter a proteção atualizada em cada grupo.

Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda:

  • Idosos com mais de 60 anos: esquema inicial com duas doses + dose de reforço quatro meses depois de completar o esquema inicial + segunda dose de reforço quatro meses depois da primeira dose de reforço;
  • Adultos entre 18 e 59 anos: esquema inicial com duas doses + dose de reforço quatro meses depois de completar o esquema inicial;
  • Adolescentes entre 12 e 17 anos: esquema inicial com duas doses + dose de reforço quatro meses depois de completar o esquema inicial;
  • Crianças de 5 a 11 anos: esquema com duas doses.
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Segunda dose de reforço já é recomendada para idosos e indivíduos com o sistema imunológico comprometido

Também é importante ficar atento ao calendário específico de onde você mora, pois podem acontecer variações. Na dúvida, procure o posto de vacinação mais próximo de sua casa para receber orientações personalizadas.

A cobertura vacinal contra a covid-19, inclusive, está aquém do desejado em muitas partes do Brasil. Nove Estados (Roraima, Amapá, Acre, Tocantins, Maranhão, Amazonas, Rondônia, Alagoas e Mato Grosso) ainda não alcançaram os 70% da população com o esquema inicial de duas doses.

Para completar, apenas quatro Estados (São Paulo, Piauí, Paraná e Rio Grande do Sul) estão com mais de 50% da população com a primeira dose de reforço no braço. Os dados foram compilados pelo projeto Coronavírus Brasil.

2. Usar máscaras em lugares fechados

Ao longo do primeiro semestre de 2022, municípios, Estados e o próprio Governo Federal promoveram uma série de mudanças nas regulamentações que foram criadas ao longo da pandemia para conter os números de casos, hospitalizações e mortes por covid.

O principal símbolo disso foi a liberação das máscaras, que deixaram de ser obrigatórias na maioria dos lugares, inclusive em estabelecimentos fechados ou onde há aglomeração.

À época, a decisão foi bastante criticada por especialistas. Muitos acreditavam que a melhora momentânea dos números da pandemia não era suficiente para relaxar de vez — e especialmente abolir o uso de máscaras em lugares fechados ou com pouca circulação de ar, contextos que facilitam demais a transmissão do coronavírus.

Com a piora no número de casos, a tendência é que as máscaras voltem a ser recomendadas pelas autoridades. No final de maio, por exemplo, o Governo de São Paulo voltou a sugerir o uso desse equipamento de proteção nas escolas e em locais fechados.

O ideal, portanto, é usar a máscara se você for para um lugar em que vai ter contato próximo e prolongado com outros indivíduos em locais com pouca ventilação, como lojas, shoppings, escritórios, transporte público…

Se possível, dê preferência aos modelos profissionais, como a PFF2 e a N95, e certifique-se que a peça se encaixa bem e veda todas as entradas e saídas de ar nas bochechas, no queixo e na maçã do rosto.

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3. Ficar atento aos sintomas

Num cenário com alta transmissão, o risco de ter contato com o coronavírus aumenta. Portanto, é importante ficar atento aos sinais típicos da covid-19. Os mais comuns são:

  • Febre ou calafrios
  • Tosse
  • Dificuldade para respirar
  • Fadiga
  • Dor no corpo
  • Dor de cabeça
  • Perda de olfato e paladar
  • Dor de garganta
  • Nariz entupido
  • Náusea
  • Vômito
  • Diarreia

Se você está com um ou mais desses sintomas, o primeiro passo é limitar o máximo possível o contato com outras pessoas para diminuir o risco de transmitir o vírus adiante.

Depois, vale buscar o diagnóstico, sobre o qual falaremos no próximo tópico.

4. Fazer o teste

Como você pode conferir na lista acima, os sintomas da covid se confundem muito com os incômodos típicos de outras doenças, como a gripe e o resfriado.

Para ter certeza de que o agente causador do quadro é mesmo o coronavírus, vale fazer um exame. Hoje em dia, é possível encontrar nas farmácias os testes rápidos de antígeno, que podem ser feitos em casa.

Outra opção são os laboratórios de análises clínicas, que oferecem não apenas o teste de antígeno, mas também o RT-PCR, método que traz resultados ainda mais confiáveis.

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Testes rápidos de antígeno foram aprovados em 2022 pela Anvisa e hoje estão disponíveis em farmácias

Nesse contexto, vale sempre buscar a orientação de um profissional de saúde, que ajuda a interpretar os resultados e dá as orientações de tratamento mais adequadas de acordo com cada caso.

5. Seguir em isolamento se necessário

Se o teste tiver resultado negativo e mesmo assim os sintomas persistirem, vale seguir em isolamento por mais algum tempo até se sentir melhor — você pode estar com resfriado ou gripe e há o risco de transmitir esses vírus para contatos próximos.

Caso o resultado seja positivo, é importante ficar em casa e evitar o contato com outras pessoas na escola, no trabalho e em ocasiões sociais por pelo menos cinco dias ou uma semana.

Se nesse meio tempo os sintomas da covid piorarem, procure o hospital. Se melhorarem, tente repetir o teste (se possível) e confira se houve alguma mudança no resultado.

O cuidado e o distanciamento devem ser ainda maiores se você tem contato com indivíduos que possuem alto risco de desenvolver as formas graves da covid, como idosos ou pacientes com o sistema imunológico comprometido.

Esse autoisolamento evita a criação de novas cadeias de transmissão do coronavírus na comunidade — o que, em última análise, pode representar um alívio para a situação da covid na sua região ou até no país inteiro.


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