sem terras

Ministros garantem que governo não apoia ocupações promovidas pelo MST

O senador Jorge Seif (PL-SC) foi o primeiro a cobrar críticas mais duras dos ministros ao MST pelas invasões

Victor Correia
postado em 05/05/2023 03:55
 (crédito: Jorge Laerte/MST)
(crédito: Jorge Laerte/MST)

Em audiência pública, ontem, no Senado, os ministros da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, criticaram as ocupações de terras promovidas pelo Movimento dos Sem-Terra (MST) nas últimas semanas. Na sessão da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CAR) da Casa, ambos, porém, defenderam a relação do governo com o movimento, embora ressaltassem que as ocupações não ajudam na abertura de diálogo para que a reforma agrária seja acelerada.

O senador Jorge Seif (PL-SC) foi o primeiro a cobrar críticas mais duras dos ministros ao MST pelas invasões. "Acho que ele (Seif) não acompanhou a imprensa", ironizou Fávaro na sequência, que justificou a presença de um dos líderes e fundadores do MST, João Pedro Stedile, na comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que viajou à China.

"Engraçado como são as coisas, o preconceito neste país. Ninguém fala dos mais de 100 empresários que acompanharam a comitiva. Por que não pode ir, também, um movimento social, um sindicalista?", questionou Fávaro.

Entretanto, o ministro da Agricultura salientou que não entende por que o MST continua com as invasões se o governo o inclui, por exemplo, no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (o Conselhão), lançado ontem.

"Não tem posicionamento dúbio: invasão de terra não é legítimo. Não é concebível apoiar invasão de terra. Da minha parte, nunca o farei", assegurou. Fávaro tem feito as críticas mais contundentes às ocupações e chegou a compará-las, na semana passada, com os ataques terroristas de 8 de janeiro.

Diálogo

Paulo Teixeira também crítico das invasões pelo MST, deixou claro que as ocupações de terras não terão apoio do Poder Executivo, nem farão com que as negociações pela reforma agrária serão mais fáceis. "Isso é uma exigência do governo. Com áreas ocupadas, nós não negociamos. Não há nesse governo qualquer leniência com esse tipo de problema", afirmou, embora acrescentando que "faz seis anos que nenhum centímetro de terra é entregue para o povo brasileiro" — disse, referindo-se aos governos Bolsonaro e Temer.

O senador Sergio Moro (União Brasil-PR) disse que as críticas da oposição "não se tratam de demonizar movimento social", mas aproveitou para atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao lembrar que não criticou as invasões de terra. Para o parlamentar, a presença de Stedile na comitiva à China deu "àquela liderança uma posição de prestígio".

Os ministros também adiantaram as mudanças programadas para o Plano Safra deste ano, que deve ser lançado em mais algumas semanas, mas não deram muitos detalhes. Segundo Teixeira, haverá dois fatores de estímulo ao crédito para produtores. "Diminuição de juros para produção de alimentos e, em segundo lugar, práticas de agricultura restaurativa. Entendemos que as agriculturas empresarial e familiar são complementares entre si. Não há embate", afirmou.

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