HOMENAGEM

Marielle vira selo e ministra diz: "Temos que homenagear mulheres negras em vida"

Irmã de Marielle, Anielle Franco discursou ao lado da mãe, Marinete Silva, e da deputada Benedita da Silva durante o lançamento do selo dos Correios em homenagem à vereadora assassinada

Lançamento do selo em Brasília: homenagem celebra legado de Marielle Franco -  (crédito:  Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Lançamento do selo em Brasília: homenagem celebra legado de Marielle Franco - (crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
postado em 28/11/2023 18:04 / atualizado em 28/11/2023 18:04

O selo Marielle Franco foi lançado nesta terça-feira (28/11) pelos Correios. A ideia foi encabeçada pela deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), junto ao Instituto Marielle Franco e ao Ministério da Igualdade Racial. Na ocasião, mãe e irmã da vereadora assassinada e ativista comemoraram a homenagem e se emocionaram em discurso. 

"Toda vez que participo de alguma homenagem para minha irmã, eu sempre desejo que fosse ela no meu lugar. Sempre penso que temos que homenagear as mulheres negras em vida", comentou a ministra Anielle Franco.

 

 Bras..lia (DF), 28/11/2023 - Cerim..nia de lan..amento do selo postal em homenagem a Marielle Franco, na sede dos Correios, em Bras..lia. Foto: Marcelo Camargo/Ag..ncia Brasil
Bras..lia (DF), 28/11/2023 - Cerim..nia de lan..amento do selo postal em homenagem a Marielle Franco, na sede dos Correios, em Bras..lia. Foto: Marcelo Camargo/Ag..ncia Brasil (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Marielle, presente!

Ao lado da mãe, Anielle reforçou a importância da irmã na política brasileira. "A Mari se transformou e o que ela virou, e trouxe de legado, fez com que a gente se impulsionasse também a seguir. Estar aqui, lançando esse selo, é lembrar por quem a gente governa. A gente governa e luta por aquelas minorias que são tão desvalorizadas no nosso pais", completou a ministra. 

"Temos que entender o que é a Marielle 'estar presente', não trazer esse apagamento que tentaram fazer. Renovar uma viva a partir de uma história que traz essa dor profundo não é fácil, não deveria acontecer, mas a gente continua lutando", disse Marinete Silva, mãe de Marielle e co-fundadora do Instituto Marielle Franco. 

Já a deputada Benedita da Silva se emocionou ao lembrar de quando recebeu a notícia da morte de Marielle. "Eu não senti a dor que a dona Marinete sentiu, mas eu senti a dor que uma mãe pode ter em criar sua filha, ter tanto orgulho e, de um momento para outro, ver essa filha ir embora, e da forma que ela foi embora. Dias antes, nós tivemos uma caminhada das mulheres negras do Rio, estávamos tão felizes com ela, abraçamos, tiramos fotos."

"Fiquei pensando o quanto a politica é perversa quando uma mulher se levanta. Eu fui a primeira vereadora da Câmara de Vereadores da cidade do Rio de Janeiro. Dez anos depois, veio a segunda mulher negra na Casa e, mais 10 anos depois, veio a terceira, que era a Marielle. Neste dia que a assassinaram, ela estava num debate na Casa das Pretas e falava justamente da distância que tinha entre as representações de mulheres negras", refletiu Benedita. 

Diversidade nos Correios 

Dados apresentados durante a cerimônia pela equipe dos Correios mostram que, entre 1843 e 2013, apenas 2% dos selos brasileiros foram representantes de pessoas negras. Entre os homenageados estão Machado de Assis, Chiquinha Gonzaga, Elza Soares e Zumbi dos Palmares. 

Para o presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, a ação reflete a tentativa de ampliar a diversidade na empresa pública. “Uma imagem pode dizer muita coisa, ela imortaliza pessoas. Tenho certeza de que essa imagem será imortalizada e será imortalizada para que fique em cada um de nós. Quando cada criança vir esse selo, que lembre da história de luta da Marielle”, afirmou.

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