Justiça por Orelha

Brasilienses realizam ato pedindo justiça pelo cão Orelha

O ato, chamado de "cãominhada", foi liderado pela Associação ApDog e contou com apoio do Detran e da Polícia Militar, responsáveis pela segurança e organização do trajeto

Manifestantes de diferentes estados brasileiros foram às ruas na tarde deste sábado (31/1) para cobrar justiça pela morte do cão Orelha, em Florianópolis (SC). O animal foi torturado por quatro adolescentes e abandonado gravemente ferido. Diante da extensão dos machucados, foi necessária a realização de eutanásia.

No Distrito Federal, a mobilização ocorreu ao lado do ParkDog, na quadra SQSW 104, no Sudoeste, e reuniu cerca de 300 pessoas, segundo os organizadores. O ato, chamado de “cãominhada”, foi liderado pela Associação ApDog e contou com apoio do Detran e da Polícia Militar, responsáveis pela segurança e organização do trajeto.

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De acordo com o presidente da associação, Ítalo da Silva Araújo, a expectativa inicial era reunir aproximadamente 500 participantes, mas a chuva pode ter reduzido a adesão. Ainda assim, ele avaliou o encontro como positivo.

“Foi muito legal, tá sendo muito legal reunir essas pessoas para essa causa tão importante, que é o fim dos maus-tratos, fim à impunidade contra esses animais”, afirmou. Araújo destacou que a manifestação foi motivada pelo caso do cão Orelha e pela necessidade de ampliar o debate sobre a proteção animal.

Entre os participantes estava o protetor conhecido como Adriano Animal DF, que atua há 14 anos na causa. Segundo ele, o objetivo do movimento é pressionar por mudanças na legislação e por punições mais severas.

“O intuito dessa manifestação é justamente melhorar as leis contra os maus-tratos, acabar com a impunidade porque infelizmente ninguém fica preso por maus-tratos aos animais aqui no Brasil e nós estamos lutando pelo Orelha e por todos os animais maltratados aqui no Brasil. Não vamos aceitar essa barbaridade aqui no Brasil”, declarou.

O administrador de empresas Wilson Amigão também participou do ato e ressaltou o caráter humanitário da causa animal. Para ele, além das mobilizações populares, é fundamental que o poder público avance na criação e no cumprimento de leis.

“A causa animal é uma causa humanitária e nós precisamos ter leis no nosso parlamento que cumpram esse papel. Nós podemos fazer todos os movimentos, um movimento como esse tem uma importância que não tem como mensurar, mas se os nossos parlamentares não fizerem a parte deles, infelizmente nós vamos ficar lutando todos os dias por uma causa nobre”, disse.

Os protestos refletem a comoção provocada pelo caso e reforçam a pressão de ativistas e protetores por medidas mais rígidas contra crimes de maus-tratos, além de maior responsabilização dos agressores.

O caso

O cão Orelha ficou desaparecido por um período antes de ser localizado por um dos cuidadores, já ferido e em estado agonizante. Em razão da gravidade dos ferimentos, foi necessária a realização de eutanásia. O animal vivia havia cerca de dez anos na Praia Brava, em Florianópolis, onde três casinhas haviam sido instaladas para abrigar os cães que se tornaram mascotes da região. Conhecido pelos moradores, Orelha circulava pelo bairro e interagia com outros animais, sendo considerado parte da comunidade local.

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Fernanda Strickland -
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No dia 16 de janeiro, quatro adolescentes, ligados a famílias influentes, foram apontados como responsáveis pela agressão. Os suspeitos foram identificados a partir de imagens de câmeras de segurança e relatos de moradores. As investigações tiveram novos desdobramentos nesta semana, quando a Polícia Civil de Santa Catarina realizou uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão por crimes de maus-tratos e coação no curso do processo. Além dos adolescentes, três adultos — familiares dos investigados — foram indiciados sob a acusação de intimidar testemunhas.

Depois do episódio, dois dos jovens viajaram para os Estados Unidos. Já de volta ao Brasil, eles deverão ser ouvidos pelas autoridades nos próximos dias.

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