O historiador Fernando Antônio Novais morreu nesta quinta-feira (30/4), aos 93 anos, em São Paulo. A informação foi confirmada pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), onde o pesquisador atuou por mais de duas décadas e se tornou professor emérito.
Em nota, a FFLCH manifestou “imenso pesar” pela morte do docente, que integrou o Departamento de História entre 1961 e 1986, e destacou sua trajetória como um dos mais importantes intelectuais do país.
Reconhecido por sua contribuição decisiva para a compreensão da formação histórica do Brasil, Novais construiu uma obra que redefiniu o entendimento do chamado sistema colonial português, articulando as relações entre metrópole e colônia à dinâmica do capitalismo comercial europeu. Sua tese de doutorado, Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema Colonial (1777–1808), tornou-se um clássico da historiografia brasileira.
Nascido em 1933, em Guararema (SP), formou-se em História pela USP em 1958, instituição onde também concluiu o doutorado em 1973. Iniciou a carreira acadêmica ainda nos anos 1950 e, em 1961, passou a lecionar na cadeira de História Moderna da FFLCH, permanecendo até a aposentadoria. Posteriormente, seguiu para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde atuou como professor de História Econômica.
Ao longo da trajetória, participou de importantes iniciativas intelectuais, como o Seminário Marx, nos anos 1960, e foi um dos fundadores do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em 1969.
Além da produção acadêmica, destacou-se como professor e orientador. Segundo homenagem do historiador Pedro Luís Puntoni, Novais “despertou interesses, vocações e paixões (pela História)” ao longo de décadas de atuação, com aulas marcadas pelo rigor, método e forte capacidade didática.
Puntoni também ressaltou a dimensão intelectual do historiador, para quem a história era um ofício que exige método e busca compreender a totalidade das experiências humanas. “A história quer ser ciência, mas não é. Ela dialoga com as ciências humanas, mas distancia-se delas pelo seu método, estilo e forma de abordar a dimensão da memória humana”, escreveu.
Autor de dezenas de artigos e livros, Novais coordenou projetos editoriais de grande impacto, como a coleção História da vida privada no Brasil, publicada nos anos 1990, e a série Estudos Históricos, da editora Hucitec.
Ainda segundo Puntoni, o historiador permanecia intelectualmente ativo, discutindo textos e desenvolvendo pesquisas até os últimos anos. “Fernando ensinou para gerações. […] Fará imensa falta. Pela sua lucidez e contribuição à historiografia, mas sobretudo pela sua gentileza e generosidade”, afirmou.
Fernando Novais deixa filhos, netos e bisnetos, além de uma vasta comunidade acadêmica marcada por sua formação e influência. Informações sobre velório e sepultamento não foram divulgadas até a última atualização desta reportagem.
Saiba Mais
-
Brasil Apostador de Curitiba ganha prêmio de R$ 127 milhões da Mega-Sena
-
Brasil Criminalização de críticas ao governo de Israel preocupa especialistas
-
Brasil Em documentário, Fernandinho Beira-Mar culpa presídios federais por avanço das facções
-
Brasil Igreja Católica é a favor do fim da escala 6x1, garante bispo de BH
