Nas vastas extensões de gelo da Antártida, uma equipe de cientistas fez uma descoberta que redefine nossa compreensão das mudanças climáticas ao longo da história. Em Allan Hills, foi extraído um cilindro de gelo estimado em 6 milhões de anos, oferecendo uma janela única para o passado remoto do planeta e revelando pistas valiosas sobre as transformações do clima durante o Mioceno. A pesquisa foi realizada por Shackleton et al (2025), e publicada na revista PNAS.
Por que os núcleos de gelo antigos nos ajudam a entender o clima da Terra?
Os núcleos de gelo funcionam como autênticos arquivos do tempo, encapsulando informações sobre a atmosfera de períodos remotos. No caso de Allan Hills, a análise dessas amostras revela temperaturas e níveis de dióxido de carbono do Mioceno, comparando-as com fases importantes de mudanças climáticas globais.
Estes registros evidenciam que o planeta já passou por períodos de calor extremo, mesmo com níveis de CO₂ semelhantes aos de hoje. Entender como o sistema terrestre respondeu a esses eventos amplia nosso conhecimento sobre as consequências do aquecimento global e ajuda a refinar modelos climáticos atuais.
Descobertas mostram tendências de resfriamento e mudanças na Antártida
Os dados obtidos a partir das amostras revelam um resfriamento gradual no leste da Antártida nas últimas eras, com quedas de temperatura de cerca de 12°C em 6 milhões de anos. As análises isotópicas também mostram que partes do continente foram significativamente mais quentes no passado.
Para destacar os principais aprendizados sobre as mudanças na Antártida, os pesquisadores montaram uma lista com pontos relevantes que detalham essas transformações climáticas:
- As temperaturas caíram cerca de 12°C desde o Mioceno;
- Camadas de gelo descontínuas, denominadas instantâneos climáticos, possibilitam o estudo detalhado de momentos-chave do clima;
- O uso de novas tecnologias ampliou a precisão das análises e a identificação dessas camadas.

Gelo basal revela o que sabemos sobre antigos ecossistemas na Antártida
O gelo basal, encontrado próximo ao leito rochoso e quase sem bolhas de ar, tem intrigado os cientistas por indicar condições ambientais extremas e transições geológicas. Apesar da aparente limitação na análise, ele guarda pistas sobre mudanças profundas no ambiente antártico.
Análises recentes sugerem que, em épocas remotas, a Antártida pode ter abrigado vegetação antes de se transformar no deserto gelado atual. Esse cenário pode alterar nossa compreensão sobre a evolução do continente e sua resposta ao aumento da temperatura global.
O perfil @cortes.e.curiosidades trouxe detalhes dessa descoberta:
@cortes.e.curiosidades8 Como cientistas encontraram ar de 6 milhões de anos! #Curiosidades #didyouknow #curiosities ♬ Epic Music(863502) – Draganov89
Projetos futuros ampliam o estudo das mudanças climáticas globais
O projeto COLDEX inaugura uma nova era em buscas por camadas de gelo ainda mais antigas. Entre 2026 e 2031, novas perfurações estão previstas para aprofundar o conhecimento sobre como o clima da Terra e os oceanos reagiram a diferentes níveis de gases de efeito estufa.
Compreender como a Terra evoluiu climaticamente é crucial para prever tendências futuras. A análise integrada de dados de núcleos de gelo e registros sedimentares ampliará ainda mais nossa visão sobre a dinâmica climática global e suas potenciais consequências para o planeta.







