O plural de palavras terminadas em “-el” costuma gerar dúvidas, principalmente quando se comparam exemplos como papéis e anéis. Muitos falantes estranham a forma correta “anéis” e imaginam algo como “anéises”, que não existe na norma padrão. A diferença entre esses casos está ligada à forma como a vogal tônica se comporta no plural e às regras de formação de plural dos substantivos terminados em “-el”, que envolvem ditongação, acentuação e preservação do número de sílabas.
Qual é a regra geral do plural de palavras terminadas em “-el”
Na gramática do português, substantivos terminados em -el seguem, em grande parte, uma regra específica: quando a sílaba final é tônica, a vogal “e” costuma transformar-se em ditongo “éi” no plural, com acento agudo. A palavra “papel”, por exemplo, tem a última sílaba tônica (“pel”), e no plural passa a “papéis”, preservando o número de sílabas.
O mesmo processo ocorre em “anel”: a sílaba tônica está em “nel”. Ao formar o plural, a vogal “e” se transforma em ditongo “éi”, resultando em “anéis”. A forma “anéises” não segue o padrão morfológico da língua, pois criaria uma nova sílaba e romperia o padrão de plural simples, que se limita à mudança da vogal e à adição do “s”.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do Prof Paulinho Kuririn:
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Como funciona a acentuação e a modificação das vogais no plural
A transformação de papel → papéis e anel → anéis envolve dois fenômenos: ditongação e acentuação. Ao passar para o plural, a vogal tônica “e” converte-se no ditongo crescente “éi”, que precisa de acento agudo para marcar a tonicidade, como se vê também em “fiéis” (de “fiel”) e “cruéis” (de “cruel”).
De modo simplificado, o processo pode ser descrito assim, concentrando-se na última sílaba da palavra e na formação do plural regular com “-s” final:
- A palavra termina em -el com a sílaba final tônica.
- No plural, o “e” tônico transforma-se no ditongo “éi”.
- Esse ditongo recebe acento agudo para indicar a sílaba tônica.
- Adiciona-se a letra s ao final da palavra para marcar o plural.

Quais são exemplos de plurais irregulares e terminados em “-el”
Alguns substantivos e adjetivos apresentam plurais chamados irregulares ou pouco previsíveis para quem está aprendendo. No caso das terminações em “-el”, muitas seguem a mesma lógica de “papel” e “anel”, enquanto outras apresentam mudanças específicas no radical ou no final da palavra.
Abaixo, uma tabela reúne exemplos de plurais irregulares e de palavras com alteração na vogal ou no radical, permitindo comparar casos de simples acréscimo de “s” com formas que envolvem ditongos e trocas de letras:
| Singular | Plural | Observação |
|---|---|---|
| papel | papéis | “e” tônico vira ditongo “éi” |
| anel | anéis | mesma regra de “papel” |
| funil | funis | sem mudança vocálica, apenas “s” |
| mal | males | plural irregular (não “mals”) |
| cálix | cálices | substituição de “x” por “c” + “es” |
| cão | cães | ditongo nasal e mudança do radical |
| pão | pães | formação com “-ães” |
| mão | mãos | plural irregular (não “mães”) |
| alemão | alemães | plural com “-ães” |
| fiel | fiéis | terminação em “-el” com “éi” no plural |
| cruel | cruéis | segue o padrão el → éis |
Esses exemplos mostram que o plural em português pode envolver desde a simples inclusão de “s” até mudanças significativas no radical. No grupo de palavras terminadas em “-el”, a tendência é seguir o padrão el → éis, como em “papéis”, “anéis”, “fiéis” e “cruéis”, sempre com manutenção do número de sílabas.
Como memorizar a regra do plural de “papel” e “anel” no dia a dia
Para quem deseja fixar a forma correta de plurais como papéis e anéis, uma estratégia prática é associar a terminação “-el” à transformação em “-éis” quando a sílaba final é tônica. A observação da tonicidade e a consciência de que não se criam novas sílabas ajudam a afastar formas incorretas como “anéises”.
Seguir um pequeno roteiro mental facilita o uso correto no cotidiano: identificar a sílaba tônica, transformar o “e” tônico em “éi”, aplicar o acento agudo e acrescentar apenas o “s”. Com esse raciocínio, formas como “papéis”, “anéis”, “fiéis” e “cruéis” passam a parecer mais naturais e compatíveis com a lógica da língua.







