O formigamento que surge quando uma parte do corpo “adormece” costuma chamar a atenção porque aparece de repente e, na maioria das vezes, some sozinho após alguns minutos. Esse fenômeno está ligado principalmente à forma como os nervos funcionam e à circulação do sangue em regiões como braços, pernas, mãos e pés, e em geral ocorre em situações simples do dia a dia, como ficar muito tempo sentado na mesma posição ou dormir apoiando o peso do corpo sobre um braço.
O que acontece com os nervos quando uma parte do corpo “adormece”
Os nervos periféricos são responsáveis por levar informações sensoriais, como toque, dor e temperatura, da pele e dos músculos até o cérebro. Quando uma parte do corpo fica sob pressão prolongada — por exemplo, ao cruzar as pernas por muito tempo ou apoiar o cotovelo em uma superfície dura — esses nervos podem ser comprimidos, interferindo na passagem dos impulsos elétricos e reduzindo temporariamente a sensibilidade, como explica a pesquisa “Peripheral Nerve Trauma: Mechanisms of Injury and Recovery”.
Ao mesmo tempo, a posição inadequada pode comprimir pequenos vasos sanguíneos que irrigam os nervos, diminuindo o fornecimento de oxigênio e nutrientes. Essa combinação de compressão nervosa e redução momentânea do fluxo de sangue provoca a sensação de dormência e, depois, de formigamento, que tende a desaparecer quando a circulação e a condução nervosa voltam ao normal.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do Dr. Drauzio Varella:
@portaldrauziovarella Já foi levantar e sentiu a perna formigando? Entenda o que causa essa sensação. #formigamento #parestesia #neurologia #drauziovarella ♬ som original – Portal Drauzio
Por que o formigamento aparece quando a circulação retorna
Ao aliviar a posição que gerou o adormecimento, a circulação sanguínea melhora quase imediatamente, permitindo que o sangue volte a passar com mais facilidade pelos vasos comprimidos. O retorno do fluxo leva oxigênio e nutrientes de volta às células, ativando de maneira súbita as fibras nervosas que estavam parcialmente silenciosas ou funcionando de modo irregular.
Nesse momento, muitos nervos disparam sinais de forma desorganizada, gerando sensações que o cérebro interpreta como formigamento, calor, incômodo leve ou pequenos “choques”. Em situações comuns, a sequência é típica: primeiro a região fica pesada ou dormente, depois surgem as pontadas e, por fim, a sensação retorna ao normal, sem deixar sequelas.

Quais são as principais causas e sensações do formigamento
O formigamento associado ao “adormecer” de uma parte do corpo é descrito, em linguagem médica, como parestesia, uma alteração da sensibilidade que não depende de um estímulo direto, como toque ou calor. Na maioria das vezes, está ligada a posições mantidas por muito tempo, movimentos repetitivos ou pressão sobre articulações e nervos periféricos, como acontece ao cruzar as pernas ou apoiar o cotovelo por longos períodos.
Outros fatores também contribuem para o aparecimento de parestesia, como falta de alongamento, roupas muito apertadas ou apoiar objetos pesados sobre braços e pernas, além de quadros de compressão nervosa crônica, como a síndrome do túnel do carpo. Nessas situações, o formigamento pode ser mais frequente e concentrado sempre na mesma região, indicando a necessidade de avaliação médica para afastar doenças metabólicas, inflamatórias ou neurológicas.
| Causa principal | Sensação percebida |
|---|---|
| Compressão do nervo por posição inadequada | Formigamento, dormência e sensação de “peso” no membro |
| Retorno rápido da circulação após aliviar a pressão | “Agulhadas”, pequenos “choques” e aquecimento leve na região |
| Pressão prolongada sobre articulações (joelho, cotovelo) | Perda temporária de sensibilidade, seguida de formigamento |
| Roupas ou acessórios muito apertados | Desconforto local e sensação de adormecimento em áreas específicas |
| Imobilidade por longos períodos, como em viagens | Inchaço leve nas extremidades e parestesia passageira |
Como reduzir o formigamento causado pela compressão dos nervos
Na maioria das vezes, pequenas mudanças de hábitos são suficientes para diminuir os episódios de dormência e formigamento, principalmente em quem permanece muito tempo sentado ou em pé. O principal cuidado é evitar manter a mesma posição por tempo prolongado, ajustando a postura, fazendo pausas regulares e observando se há cruzamento de pernas, apoio excessivo do peso sobre um único lado ou flexão exagerada das articulações.
Algumas atitudes simples podem ser úteis no dia a dia para proteger nervos e vasos sanguíneos e melhorar a circulação, especialmente em ambientes de trabalho e em viagens longas:
- Alternar a posição das pernas ao sentar e evitar cruzá-las por longos períodos.
- Fazer pequenas pausas para caminhar em trajetos longos de carro, ônibus ou avião.
- Realizar alongamentos suaves de braços, mãos e pernas ao longo do dia.
- Ajustar a altura da cadeira e da mesa para reduzir a pressão sobre cotovelos e punhos.
- Evitar roupas, cintos e calçados excessivamente apertados.
Em geral, quando o formigamento some em poucos minutos após mudar de posição, o quadro está associado à compressão temporária de nervos e ao retorno da circulação local. No entanto, se a sensação de adormecimento se tornar frequente, prolongada, atingir sempre a mesma região ou vier acompanhada de dor intensa, perda de força, dificuldade para movimentar o membro ou alterações de equilíbrio, é importante buscar orientação especializada para investigar causas adicionais e proteger a saúde neurológica e vascular.








