Entre as muitas formas de pensar e argumentar que atravessaram os séculos, o chamado método socrático continua presente em salas de aula, consultórios, tribunais e até em conversas cotidianas. Em vez de discursos longos e técnicos, essa abordagem se apoia em algo que qualquer pessoa conhece bem: perguntas. A figura de Sócrates, filósofo ateniense do século V a.C., costuma ser associada justamente a essa arte de questionar, que hoje ainda serve como ferramenta para esclarecer ideias, confrontar certezas frágeis e estimular o pensamento crítico em diferentes áreas.
O que é o método socrático e quais são seus principais elementos
O método socrático pode ser descrito como um procedimento de investigação baseado em perguntas sucessivas, que busca testar a firmeza de uma ideia. Em vez de apresentar uma resposta pronta, o interlocutor é levado a revisar o que pensa, justificar suas afirmações e reconhecer possíveis contradições, aproximando-se de definições mais claras e menos impulsivas.
Esse processo combina dois elementos centrais: a chamada ironia socrática e a maiêutica. Na ironia, o questionador assume uma postura de aparente ignorância para incentivar o outro a se explicar melhor; na maiêutica, por meio de perguntas encadeadas, a própria pessoa “faz nascer” uma compreensão mais clara ou percebe sozinha um erro lógico, algo muito útil para conceitos como justiça, coragem e responsabilidade.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo da psicóloga Aline Cristini, que explica o questionamento socrático:
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Como o método socrático funciona na prática em um diálogo
Na prática, o método socrático de perguntas segue uma espécie de roteiro flexível, guiado por uma questão central. Primeiro, solicita-se que o interlocutor esclareça o que quer dizer com determinada afirmação; depois, pedem-se exemplos concretos, examinam-se as razões apresentadas, verificam-se as consequências e introduzem-se casos que desafiam a generalização inicial.
Esse encadeamento não precisa seguir sempre a mesma ordem, mas cada pergunta deve tornar a afirmação mais precisa ou revelar pontos frágeis do raciocínio. Em contextos educacionais e profissionais, essa sequência ajuda a evitar debates agressivos, preservando o foco na qualidade do argumento e não na pessoa que o apresenta.
- Esclarecimento inicial: pedir que a pessoa defina o que está afirmando.
- Busca de exemplos: trazer situações reais para apoiar a ideia.
- Análise de motivos: perguntar por que ela acredita naquilo.
- Exploração de consequências: verificar aonde essa crença leva.
- Contraste com outros casos: apresentar exceções ou casos-limite.
- Convite à reflexão: dar espaço para que a própria pessoa repense.
Onde o método socrático é aplicado no mundo contemporâneo
O método socrático não ficou restrito à filosofia antiga e, em 2025, aparece em diferentes áreas, adaptado a objetivos específicos. Na educação, professores o usam para incentivar pensamento crítico, evitando que os alunos apenas decorem respostas, e em cursos de direito ele é usado para treinar argumentação rigorosa e análise de casos complexos.
Na psicologia, especialmente em abordagens cognitivas, a técnica de perguntas socráticas ajuda a pessoa a questionar crenças rígidas sobre si mesma, sobre os outros ou sobre o futuro. Em ambientes corporativos, entrevistas jornalísticas e processos de coaching, questionamentos estruturados favorecem a detecção de riscos, falhas em projetos e expectativas pouco realistas, desde que conduzidos com respeito e foco no problema.
- Salas de aula e debates acadêmicos.
- Atendimentos terapêuticos e processos de coaching.
- Treinamentos corporativos e cursos de oratória.
- Entrevistas jornalísticas e apurações investigativas.

Como aplicar o método socrático em conversas do dia a dia
Em interações cotidianas, o método socrático pode ser usado para lidar com afirmações categóricas, boatos e opiniões muito generalizadas. Em vez de responder com outra afirmação forte, a estratégia é recorrer a perguntas simples, que incentivem uma explicação mais cuidadosa e reduzam a chance de a conversa se transformar em disputa pessoal ou em conflito emocional.
- Pedir definição: “O que exatamente significa isso para a pessoa que está falando?”
- Pedir um exemplo real: uma situação específica em que aquilo ocorreu.
- Questionar as evidências: de onde veio a informação e como foi verificada.
- Analisar as consequências: o que aconteceria se essa ideia fosse levada ao extremo.
- Trazer exceções: lembrar casos que não se encaixam na regra apresentada.
Por que o método socrático continua atual e relevante
Em um período de circulação intensa de informações, como o cenário digital de 2025, a técnica de perguntar de forma estruturada ganha relevância. O método socrático oferece uma ferramenta simples para avaliar discursos prontos, opiniões virais e explicações rápidas demais, favorecendo uma atitude mais cautelosa e investigativa em relação ao que é apresentado como verdade absoluta.
Essa permanência se deve à combinação entre humildade intelectual e rigor lógico, além de seu baixo custo e fácil aplicação em qualquer contexto de diálogo. Reconhecer limites do próprio conhecimento e, ao mesmo tempo, examinar argumentos com atenção transforma o diálogo em espaço de investigação, não em campo de batalha, mantendo o método como um convite permanente a pensar melhor antes de afirmar qualquer coisa de maneira definitiva.









