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Por que gostamos de cheiros de coisas estranhas como gasolina ou tinta, segundo a psicologia

Por Larissa Carvalho
10/01/2026
Em Curiosidades
Por que gostamos de cheiros de coisas estranhas como gasolina ou tinta, segundo a psicologia

Ativação de áreas cerebrais ligadas à memória e à emoção

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Em muitas situações do dia a dia, pessoas relatam apreciar o cheiro de gasolina, tinta, livro novo ou até de chuva no asfalto quente. À primeira vista, esses odores podem parecer estranhos para serem considerados agradáveis, mas a explicação envolve uma combinação de memórias olfativas, estímulos cerebrais, características químicas das substâncias e até fatores culturais e individuais que moldam o que cada pessoa percebe como um aroma agradável ou reconfortante.

Como o cérebro processa cheiros estranhos como gasolina e tinta

O caminho do cheiro até o cérebro começa quando moléculas voláteis entram pelo nariz e se ligam a receptores na mucosa olfatória. Essas informações seguem para o bulbo olfatório, região que faz a primeira interpretação do odor, e depois alcançam áreas como o sistema límbico, o hipocampo e a amígdala, todos ligados a emoção e memória, como mostra a pesquisa “Individual odor hedonic perception is coded in temporal joint network activity”.

Assim, o cérebro não registra apenas o cheiro em si, mas também o contexto em que ele aparece, como o local, o momento de vida e o estado emocional. Esse conjunto faz com que cheiros de gasolina ou tinta, quando ligados a experiências positivas, sejam codificados como algo familiar e potencialmente agradável, mesmo que quimicamente sejam irritantes ou tóxicos em excesso.

Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo da Dra. Hanny Storch:

@dra.hannys Por que você gosta do cheiro de gasolina?⛽️ #curiosidades #medicina ♬ som original – Hanny Storch

Memórias olfativas explicam por que certos cheiros ativam lembranças tão fortes

As chamadas memórias olfativas são formadas quando um cheiro é registrado junto com informações emocionais e contextuais: onde a pessoa estava, com quem, o que acontecia no momento. Como o sistema olfativo tem ligação direta com o hipocampo, responsável pela consolidação das memórias, esse tipo de registro tende a ser especialmente duradouro e vívido.

Esse fenômeno não se limita a odores socialmente vistos como agradáveis, pois cheiros de gasolina, solventes, oficina mecânica ou laboratório escolar podem remeter a momentos de descoberta e convivência. Ao sentir novamente o mesmo odor, o cérebro reativa o “pacote” memória + emoção, fazendo a pessoa ter a sensação de gostar daquele cheiro, ainda que saiba que ele está associado a substâncias potencialmente tóxicas.

Por que o cérebro pode considerar cheiros químicos agradáveis

Do ponto de vista químico, muitos aromas considerados estranhos são formados por compostos orgânicos voláteis que se espalham facilmente no ar e chegam rápido aos receptores olfativos. Em certos casos, esses compostos lembram, em estrutura ou efeito, moléculas presentes em perfumes, flores ou frutas, o que pode gerar uma sensação de familiaridade e até prazer olfativo inconsciente.

Além disso, fatores como intensidade do cheiro, frequência de exposição e associações positivas com momentos de relaxamento ou conquista ajudam a reforçar o vínculo afetivo. Para entender melhor esse processo, alguns dos principais mecanismos podem ser destacados e observados no dia a dia:

  • Hidrocarbonetos aromáticos: presentes em combustíveis, podem ter notas doces ou levemente adocicadas, facilitando a associação com cheiros comuns em fragrâncias.
  • Cetonas e ésteres: alguns tipos usados em tintas e solventes lembram, em baixa concentração, aromas frutados ou florais encontrados em perfumes e produtos de limpeza.
  • Moléculas voláteis intensas: cheiros fortes chamam mais atenção do cérebro, favorecendo a formação de uma memória marcante, positiva ou negativa.
  • Habitação sensorial: com o contato frequente, o sistema olfativo se acostuma a certos compostos, reduzindo a sensação de incômodo e dando espaço às associações afetivas.
  • Interação com o sistema de recompensa: quando o cheiro aparece em situações agradáveis, o cérebro pode liberar dopamina, vinculando o odor a uma sensação de bem-estar contextual.
Por que gostamos de cheiros de coisas estranhas como gasolina ou tinta, segundo a psicologia
Adora cheiro de gasolina? É seu cérebro misturando nostalgia com química divertida do dia a dia, puro encanto!

Como cheiros estranhos se conectam a lembranças marcantes

A tabela a seguir apresenta alguns exemplos de cheiros considerados estranhos por muitas pessoas e os tipos de lembranças com que costumam ser associados. Não se trata de uma regra, mas de situações frequentemente relatadas, que ilustram o papel das experiências pessoais na construção da preferência por determinados odores.

Essas associações variam conforme a história de vida, a cultura e até o clima de cada região, mostrando que o olfato é profundamente subjetivo. Assim, um mesmo cheiro pode ser acolhedor para uma pessoa, neutro para outra e desagradável para alguém com memórias negativas ligadas àquele odor específico.

CheiroPossíveis lembranças associadas
GasolinaViagens de carro, paradas em postos, passeios em família
Tinta frescaMudança de casa, reforma, ambiente novo de trabalho ou estudo
Álcool em gel ou desinfetanteHospitais, consultórios médicos, rotina de cuidados com a saúde
Livro novoPrimeiro dia de aula, biblioteca, início de curso ou projeto
Chuva no asfaltoInfância brincando na rua, retorno para casa, mudanças de estação
Oficina mecânicaVisitas com familiares, trabalhos manuais, aprendizado sobre carros

Esses cheiros considerados agradáveis são realmente seguros

Apesar de muitas pessoas apreciarem o aroma de gasolina, tinta ou solventes, especialistas em saúde alertam que a inalação prolongada ou intencional dessas substâncias pode representar risco. Em concentrações elevadas, alguns compostos podem irritar as vias respiratórias, causar tontura e, em casos extremos, afetar o sistema nervoso central, exigindo sempre ventilação adequada dos ambientes.

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O fato de alguém gostar do cheiro não significa que a substância seja inofensiva, pois a sensação de prazer está ligada principalmente às memórias olfativas e às associações emocionais. Em contextos profissionais, como oficinas, indústrias ou ateliês de pintura, o uso de equipamentos de proteção e o respeito a normas de segurança continuam sendo recomendados para evitar intoxicações agudas ou problemas crônicos.

Como entender melhor a própria relação com cheiros inusitados

Observar em que situações o gosto por um determinado cheiro apareceu pode ajudar a compreender essa relação, permitindo identificar se ela está ligada a momentos de alegria, mudança, conquista ou simples rotina. Muitas pessoas percebem que o apreço por gasolina começou em viagens de infância, o de tinta em períodos de mudança e o de chuva em dias emocionalmente marcantes.

Ao reconhecer esse papel do olfato, torna-se mais fácil perceber por que cheiros classificados como estranhos podem significar conforto, familiaridade ou lembrança de um período específico da vida. Dessa forma, o aroma de gasolina, tinta ou outros compostos similares deixa de ser apenas um fenômeno químico e passa a ser também um marcador de histórias pessoais armazenadas no cérebro e resgatadas sempre que o odor volta a ser sentido.

Tags: CérebrocheiroCuriosidadesgasolinapsicologia
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