Perdoar a si mesmo costuma ser uma tarefa mais complicada do que desculpar outra pessoa. Muitas pessoas seguem a vida carregando culpas antigas, revivendo situações passadas e questionando o que poderiam ter feito de forma diferente, o que interfere em relações, trabalho e até na forma como cada um enxerga o próprio futuro, especialmente quando falta autocompaixão e uma visão mais realista dos próprios limites.
O que é auto perdão e por que ele é tão importante
O auto perdão pode ser entendido como a capacidade de reconhecer um erro, assumir responsabilidades e, ainda assim, tratar a si mesmo com respeito e humanidade. Não significa esquecer o que aconteceu nem minimizar consequências, e sim deixar de se definir apenas pelo equívoco, integrando o erro como parte da experiência e não como a totalidade de quem se é, como abordou a pesquisa “Self-Compassion: An Alternative Conceptualization of a Healthy Attitude Toward Oneself“.
Especialistas em saúde mental apontam que essa habilidade está relacionada à regulação emocional e à manutenção de uma autoestima mais estável ao longo do tempo. Sem essa prática, surgem pensamentos como “não mereço ser feliz” ou “sempre faço tudo errado”, favorecendo sintomas de ansiedade, isolamento social e até quadros depressivos.
Por que é tão difícil praticar o auto perdão no cotidiano
A dificuldade em perdoar a si mesmo costuma envolver fatores emocionais, culturais e até biológicos, como a tendência do cérebro de fixar-se mais em experiências negativas. Muitas pessoas cresceram em ambientes em que o erro era tratado com castigos severos ou humilhação, reforçando a ideia de que qualquer falha torna alguém “inadmissível” ou “sem valor”.
Além disso, o auto perdão entra em conflito com crenças comuns, como a de que sentir culpa o tempo todo seria uma forma de “pagar pelo que fez”. Em vez de incentivar reparação, essa lógica mantém a pessoa paralisada, com medo de arriscar novas atitudes, e pode alimentar um padrão de perfeccionismo que bloqueia o aprendizado saudável.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do Dr. Gabriel Paiva, publicado no seu perfil @drpaivagabriel:
@drpaivagabriel Você se perdoa pelos seus erros? 💡Curso completo de Inteligência Emocional na Bio Neste vídeo, falamos sobre a importância de separar quem você é do que você fez, para conseguir se perdoar pelos seus erros. Dentro da saúde mental, o autoperdão é um processo psíquico de reestruturação cognitiva, onde você reconhece a falha, repara o que é possível, aprende e segue em frente, sem se punir repetidamente ou se afundar em ruminação e emoções como culpa, vergonha e arrependimento. #saúdemental #psicologia #inteligenciaemocional #inteligênciaemocional #autoconhecimento ♬ som original – Dr. Gabriel Paiva
Quais são os impactos da falta de auto perdão na vida diária
Quando a pessoa não consegue se perdoar, o corpo e a mente respondem como se o erro estivesse acontecendo o tempo todo, gerando estresse contínuo. Isso pode se refletir em tensão muscular, dificuldade de sono, irritabilidade, preocupação constante e redução da capacidade de sentir prazer nas atividades diárias.
Nas relações, a autocrítica excessiva pode levar a comportamentos de afastamento ou de submissão, por acreditar que qualquer conflito irá “confirmar” a percepção negativa sobre si. Esses impactos aparecem em diferentes áreas da vida:
- Relacionamentos pessoais: tendência a aceitar menos carinho ou apoio, por se sentir “indigno”.
- Trabalho e estudos: medo de tomar decisões, procrastinação e autocobrança exagerada após pequenas falhas.
- Saúde mental: aumento de pensamentos repetitivos sobre o passado e dificuldade de sentir satisfação com conquistas atuais.
Como trabalhar o auto perdão de forma prática no dia a dia
O processo de auto perdão tende a ser gradual e pode ser facilitado por estratégias simples, aplicadas com constância e honestidade. Mais do que repetir frases positivas, trata-se de adotar uma postura mais realista e menos punitiva diante da própria história, reconhecendo tanto erros quanto qualidades.
Alguns passos frequentemente recomendados por profissionais da área envolvem organizar pensamentos e atitudes para transformar culpa em responsabilidade. O apoio de um profissional de saúde mental pode ajudar a identificar crenças rígidas que mantêm a culpa ativa e a construir uma narrativa mais ampla sobre si mesmo.
- Reconhecer o erro com clareza: descrever mentalmente ou por escrito o que aconteceu, sem exageros nem minimizações.
- Assumir responsabilidade: identificar qual parte de fato dependia da própria escolha e qual estava além do controle.
- Buscar reparação: quando possível, pedir desculpas, corrigir danos ou mudar atitudes concretas.
- Praticar autocompaixão: falar consigo de forma respeitosa, como se falaria com alguém querido na mesma situação.
- Aprender com a experiência: transformar a culpa em aprendizado, definindo novos limites e estratégias para o futuro.

Auto perdão significa esquecer o que aconteceu
Especialistas costumam reforçar que perdoar a si mesmo não é o mesmo que apagar um acontecimento ou fingir que nada ocorreu. O evento continua fazendo parte da trajetória, mas deixa de ocupar todo o espaço mental e de definir exclusivamente a identidade da pessoa, abrindo lugar para a noção de crescimento.
Com o tempo, a lembrança passa a vir acompanhada também das mudanças que surgiram depois, como novas escolhas, limites mais claros ou atitudes diferentes em situações semelhantes. Quando o auto perdão é trabalhado de forma responsável, ele não afasta a noção de consequência, mas reduz a necessidade de autopunição permanente e favorece um compromisso mais sólido com os próprios valores.







