A popularização das bebidas com eletrólitos trouxe novas opções para quem busca hidratação rápida após treinos intensos ou episódios de doença. Esses produtos prometem repor minerais importantes perdidos pelo suor, como sódio, potássio e magnésio, ajudando o corpo a manter o equilíbrio de líquidos. No entanto, especialistas em saúde alertam que o consumo diário sem necessidade clara pode trazer consequências para a função renal a médio e longo prazo, especialmente em pessoas com fatores de risco.
Qual é a relação entre eletrólitos e o funcionamento dos rins
A palavra-chave bebida com eletrólitos está diretamente ligada à forma como os rins funcionam. Essas bebidas concentram minerais que o organismo já controla de maneira bastante rígida, e o sódio costuma ser o principal componente, justamente o que mais preocupa na saúde renal por seu impacto na pressão arterial, como trouxe a pesquisa “Silent Effects of High Salt: Risks Beyond Hypertension and Body’s Adaptation to High Salt”.
Em excesso, o sódio aumenta a quantidade de solutos a serem filtrados, elevando o esforço dos rins. O potássio e o magnésio, também presentes em muitas fórmulas, exigem regulação cuidadosa, sobretudo em pessoas com doença renal, hipertensão, uso de certos medicamentos ou outras condições crônicas, que podem ter esse equilíbrio facilmente desestabilizado.
Como o excesso de eletrólitos pode afetar a saúde renal
O principal impacto da sobrecarga de bebidas com eletrólitos está na necessidade de filtração contínua de sódio, potássio e água em grandes quantidades. Esse esforço constante pode favorecer alterações silenciosas na função renal, que nem sempre dão sintomas imediatos, mas se acumulam ao longo dos anos.
Nesse contexto, a ingestão acima do necessário aumenta o trabalho dos rins, que deixam de atuar apenas na manutenção para “corrigir excessos”. Isso pode gerar diferentes consequências, especialmente em indivíduos predispostos, como ilustrado a seguir:
- Aumento persistente da pressão de filtração nos rins;
- Dificuldade em manter o equilíbrio entre água e sais minerais;
- Maior risco de alterações na função renal em quem já tem predisposição;
- Condições propícias para formação de cálculos renais em alguns casos.
Em situações extremas e associadas a outros fatores, a sobrecarga de eletrólitos pode contribuir para retenção de líquidos, piora da hipertensão e até alterações do ritmo cardíaco, já que sódio e potássio atuam diretamente na condução elétrica do coração, exigindo atenção especial em pessoas cardiopatas.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do Dr. Julio Luchmann (@julioluchmann):
@julioluchmann ##rins #saude #julioluchmann ♬ som original – Júlio luchmann
Quando as bebidas com eletrólitos são realmente necessárias
As bebidas eletrolíticas têm papel específico e não devem ser vistas como substitutas da água no dia a dia. Elas costumam ser indicadas em contextos de maior perda de líquidos e sais minerais, nos quais a simples ingestão de água pode não ser suficiente para uma reidratação adequada.
- Exercício intenso e prolongado, com muita sudorese, especialmente em ambientes quentes;
- Episódios de diarreia ou vômitos, quando há perda significativa de líquidos e sais minerais;
- Situações clínicas orientadas por profissionais de saúde, como alguns casos de desidratação leve a moderada.
Fora desses contextos, a hidratação com água e uma alimentação equilibrada costuma ser suficiente para manter o balanço de eletrólitos em níveis adequados. Frutas, legumes, oleaginosas e alimentos minimamente processados fornecem minerais em concentrações mais adequadas e com menor risco de sobrecarga renal, tornando o consumo diário de bebidas eletrolíticas desnecessário para a maioria das pessoas.

Como hidratar-se bem sem prejudicar os rins
Manter a hidratação adequada sem comprometer a saúde dos rins envolve escolhas simples e consistentes no dia a dia. Em geral, recomenda-se priorizar a água como principal bebida, recorrendo às bebidas com eletrólitos apenas em situações específicas, sempre que possível com orientação profissional.
- Observar a cor da urina, que tende a ser um indicativo simples de hidratação;
- Distribuir a ingestão de líquidos ao longo do dia, em vez de grandes volumes de uma só vez;
- Preferir alimentos in natura ou minimamente processados, que já fornecem minerais em quantidades equilibradas;
- Ler rótulos de bebidas esportivas, verificando teor de sódio e açúcar;
- Buscar orientação profissional em caso de doenças renais, cardíacas ou uso de medicamentos de uso contínuo.
Para a maioria das pessoas, a combinação de água, alimentação variada e atenção aos sinais do próprio corpo é suficiente para preservar a hidratação e a saúde dos rins. As bebidas com eletrólitos funcionam melhor como recurso pontual em momentos de maior perda de líquidos e sais, reduzindo a chance de sobrecarga renal e favorecendo o equilíbrio natural do organismo.








